Os carros antigos são uma paixão nacional. A cada ano que passa mais pessoas se rendem a esse sentimento e começam a restaurar e colecionar os veículos do passado. Inspirados nesse movimento, inauguramos na nossa terceira edição a seção Placa Preta, em que iremos trazer histórias de pessoas motivadas por essa paixão e tudo sobre como elas se relacionam com essa ocupação.

Placa preta no Brasil indica que os carros que a contém possuem mais de 30 anos, com 80% de suas peças originais. Além de sua idade e dessa porcentagem, para ter essa designação, o automóvel precisa se credenciar a um clube credenciado pelo Denatran ou FBVA (Federação Brasileira de Veículos Antigos), estar em um estado de conservação mínimo pré-determinado pelo órgão e estar limpo na hora da inspeção. Como benefício de ter esse emplacamento, além do reconhecimento, alguns itens considerados obrigatórios para os padrões de hoje são dispensados pela lei.

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Conversamos com Leonel Osmir, de apenas 20 anos, que provou que o amor por antigomobilismo realmente não tem idade. Desde muito cedo ele se interessava por carros, mas foi aos 18 anos, quando tirou sua habilitação, que decidiu mergulhar nesse universo. Comprou um Fusca 1974 e começou a fazer os reparos, praticamente sozinho. Sem nenhuma experiência leu muito e pesquisou na internet tudo sobre o modelo, transformando um carro que nem freio tinha em motivo de atenção por onde passa.

O processo todo demorou seis meses, mas, como Leonel contou, ele nunca terminou de fato, já que sempre aparece algo novo para mexer. A peça mais difícil de encontrar foi o para-lama original com farol olho de boi, que exigiu um garimpo maior. “As peças do fusca são fáceis de encontrar, tem em todo o lugar. Uma ou outra é mais difícil, como, por exemplo, quando eu precisava de um parafuso que só uma fábrica fazia e ela fechou”, disse. Com os balconistas também foi bastante fácil, já que toda uma geração anterior à dele tem muito conhecimento sobre o modelo.

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Foi exatamente essa simplicidade que o motivou a comprar o Fusca e que, mais tarde, o conquistou. Como era uma coisa muito nova o jovem optou por algo que não fosse complexo na hora de tirar as peças e remontar, mas se encantou tanto com a facilidade que acabou comprando o segundo, no qual está aplicando seus esforços no momento. “Mergulhei de cabeça e me apaixonei tanto que um só não foi suficiente. Quanto mais você faz mais você quer”, mencionou.

Com brilho nos olhos, Leonel contou que sente o carro falar. Um dia ele decidiu vendê-lo, e quase que no mesmo momento que colou o anúncio na traseira, o automóvel quebrou pela primeira vez. “Ele me deu um recado naquele dia, todo fusquinha conversa com seu dono. Desisti da venda na mesma hora”, relembrou o motorista rindo. Desde então os dois viraram grandes companheiros, e o veículo tornou-se seu meio de locomoção no dia a dia.

Agora, o rapaz pensa em transformar o hobby em negócio, já que sonha em abrir sua oficina. Os primeiros passos ele já deu, uma vez que personaliza motores para diversos carros. Por enquanto, transformou cada espaço do depósito da empresa de seu pai em uma oficina particular, onde passa horas todos os dias em meio a peças e ferramentas. “Sou suspeito para falar dos Fuscas, cada vez que mexo neles fico mais impressionado. Meu tempo livre é dedicado para isso, e eu gosto de ficar o dia inteiro cheio de graxa”, concluiu.

Confira a galeria de fotos abaixo:

 

 

 

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