São vários lances de escada para chegar até o último andar da Autopeças Santa Rita, que fica no bairro de José Walter, em Fortaleza. Ali, no espaço onde é possível ver toda a vizinhança, são realizadas também as palestras organizadas para balconistas e mecânicos, além, é claro, dos churrascos e festas de confraternização. Antes de começar a contar sua história e se preparar para a sessão de fotos, Edivandro nos explica, apontando para os azulejos muito brancos do piso, que essa é uma das lojas mais organizadas que ele já trabalhou. “E é por isso que tem dado muito certo.” Assim ele começa a contar sua trajetória que já alcança quase 3 décadas.

Aos 16 anos, na loja de autopeças de sua tia, trabalhava ajudando a receber o material que chegava sem deixar de observar tudo ao redor. Primeiro foram os estoquistas, que ele analisou atentamente até conseguir um espaço por lá, onde aprendeu muito. “Lá no estoque tinha um pessoal mais velho que me ensinou bastante, mas eu era muito interessado. Quando chegava a peça, eu pegava e estudava, ia até o catálogo para saber de que carro era, como funcionava. Quando chegava alguém no balcão, eu já sabia onde estava.”

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Até chegar ao balcão levou um tempo. Passou pelo almoxarifado, pelo caixa e foi auxiliar de vendas. Mas quando a coisa toda começou, os convites começaram a chegar e Edivandro passou a ir mais longe. “Fui convidado para trabalhar no Grupo Feijão, que era o mais forte do ramo de autopeças por aqui. Era o sonho de todo vendedor trabalhar lá”, explica. Isso porque, segundo ele, o Grupo era uma espécie de escola para quem quisesse levar a vida entre as peças. Foram mais de 7 anos ali até novos desafios surgirem.

“Pouco depois de eu ter saído, recebi um convite para trabalhar numa empresa que, conforme o dono me disse, estava vendendo só 600 reais”, conta. Desafio aceito, o trabalho foi iniciado, as ligações foram feitas e os números começaram a aumentar. Quinze mil, vinte mil. “Sabe qual é o segredo? Eu conheço o cliente. Eu conheço o povo do Ceará e eles não conheciam. Aqui ainda se usa muito vender na confiança, facilitar o pagamento, parcelar, mas se você não é daqui, não sabe lidar com isso”.

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“O balcão é o coração da loja. É ali onde começa todo o relacionamento com as pessoas”

Mas conhecer o cliente, para o Edivandro, vai muito, muito além de saber negociar com ele. Para o balconista, a proximidade é tanta que você passa a reconhecer o tom de voz e o humor do cliente e pode pensar numa maneira melhor de atendê-lo naquele dia. Quer um exemplo? “Uma vez, um cliente que comprava sempre com a gente, muito brincalhão, ligou e eu notei que ele estava meio calado, cabisbaixo e perguntei se ele estava bem. Foi aí que ele me disse que o irmão tinha sofrido um acidente. Fiquei triste por ele e percebi como é importante você conhecer bem as pessoas para saber como tratar em cada situação”, diz.

E esse conhecimento, essa noção do trato com o cliente é uma das coisas que mais orgulha o Edivandro quando fala sobre sua profissão. “O reconhecimento, de chegar nos lugares, nas palestras e ser lembrado por outras pessoas do ramo deixa muito feliz. Tenho orgulho da minha profissão e do lugar onde cheguei.” Com exatos 28 anos de profissão, sabe que o segredo para esse reconhecimento pode ser resumido poucas palavras: curiosidade e conhecimento.

“Você precisa perguntar tudo para o cliente para evitar erros. E é importante também saber que não se deve nunca dizer ‘não’. O cliente já tem um problema e não quer outro. O balcão é o coração da loja. É ali onde começa todo o relacionamento com as pessoas. E precisa começar bem, não é?”.

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