Em uma noite dedicada à mitológica Kombi, a última coisa que se espera é ter sua atenção roubada por um outro veículo. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu durante o desfile do utilitário mais antigo do Brasil. Entre mais de 300 modelos da perua, um carismático “baixinho”, estacionado no Sambódromo do Anhembi, se destacava. De início, quem olha pode confundir com um Volkswagen TL, ou um Passat 1ª geração. Os mais leigos, inclusive, podem até arriscar que se trata de uma Brasília. Porém, o placa preta dessa edição foi tão marcante em sua época que até hoje seu nome está nos modelos wagon da montadora alemã: uma Variant.

Até aí, esse modelo circulou bastante pelas ruas brasileiras durantes os anos 1960 e 1970. Entretanto, é o próprio dono quem explica o porquê de se estranhar o carro à primeira vista. “Essa aqui tem uma história interessante. É uma Variant 1600 alemã, ano 68, por isso tem muita gente que confunde. De semelhante com a nossa Variant, apenas o motor e a mecânica, tirando a suspensão, que já é outra. Todo o resto é completamente diferente: para-brisa, tamanho e desenho dos vidros, linha lateral, carroceria, interior e etc”, diz Luiz Miranda, gerente geral de um portal especializado em música.

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O carro foi sinônimo de espaçoso quando lançado. Além do porta-malas dianteiro, existem também um bagageiro na parte de trás. O motor, horizontal, refrigerado a ar, e mais baixo que o normal, já que a ventoinha é fixada diretamente no virabrequim, fica dentro do bagageiro, liberando muito espaço.

Dono do carro há dois anos e meio, Luiz afirma que ainda precisa de muito tempo para completar o processo restauração. “Já mudei muita coisa, mas olhando pros detalhes sempre penso que pode melhorar. Quando peguei tava rebaixado, com umas rodas de tala larga, bem diferente mesmo. Eu curto uma linha mais autêntica. Fora isso, preciso fazer funilaria, trocar para-choque e tapeçaria, cromar, tirar uns amassadinhos, trocar os frisos e, principalmente, quero voltar para cor original. Esse azul é muito esverdeado. A cor original é mais sutil, parecida com azul diamante ou, como o pessoal fala, azul calcinha”, brinca o dono.

Mas toda essa exclusividade tem um preço. Para conseguir as peças do modelo Type 3, como é conhecido na Alemanha, Luiz apela para os Estados Unidos, onde o veículo chamado de “Squareback” fez muito sucesso. “É muito complicado pra conseguir algumas partes. Como o motor é igual ao da Variant nacional, muita coisa você encontra. Agora, suspensão e acabamento só em sites especializados. Por sorte, os americanos adoram esse carro e, por isso, fabricam até hoje peças de reposição. O Brasil não é uma opção já que é praticamente impossível achar um desses em bom estado”. Por isso mesmo, Luiz diz que teve muita sorte em encontrar o modelo. “É um carro que não dá pra ficar procurando, tem que pegar o primeiro que aparecer. Eu brinco dizendo que não conheço o pedigree dele, nem tenho certeza como chegou no país. Acredito que foi algum funcionário da embaixada, já que esse tipo de importação era muito comum”, finaliza.

Dono também de um Karmann Ghia 1964, Luiz não pensa em vender suas relíquias. “Não quero vender. Sempre gostei muito de Volkswagen e sempre quis ter uma Variant alemã. É engraçado, na minha família dizem que carro tem que ser prático, e que carro bom é carro zero. Desde criança sempre pensei ao contrário. A pegada tem que ser de diversão, já que carro antigo não é nem um pouco prático. Mas, no fim, paixão é paixão.”

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