Ele foi o segundo grande sucesso da norte-americana Ford. Lançado em outubro de 1927, logo após o Ford Modelo T – primeiro veículo acessível aos consumidores da classe média -, ele era a aposta da montadora contra a General Motors, fabricante de veículos da cidade de Detroit que ganhava cada vez mais espaço no mercado. Fora isso, o placa preta desta edição foi o primeiro automóvel a realmente testar o conceito de linha de montagem, inventado pelo próprio Henry Ford. Pioneiro da produção em massa, o Ford Modelo A é um ícone do mundo automotivo.

Agora, esqueça o nome rebuscado. Não somente para os brasileiros aficionados do antigomobilismo, mas, também, para Wanderley e Vagner Mazzali, esse clássico das rodas é conhecido simplesmente como Ford Baratinha. O carismático apelido faz referência à carroceria do tipo Roadster, caracterizada como um carro de dois lugares sem teto fixo.

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Pai e filho, que também são donos de um Ford Modelo A Phaeton, popularmente chamado de Fordinho Bigode, estão com o Baratinha há oito anos. Mas, essa história poderia ser bem diferente. “Nós quase não compramos ele. O antigo e único dono dele era um fiscal da Secretaria da Fazenda que depois de muitos anos decidiu vender. Então, meu filho e eu fomos até um estacionamento conhecer o carro. O problema é que ele estava praticamente abandonado, todo sujo, cheio de pó. Além disso, não gostamos muito da cor, ficamos indecisos, e acabamos não comprando. Passou um tempo e um conhecido nosso falou: pô, aquele carro tá com a mecânica muito boa, vai lá, dá mais uma volta nele. Na nossa segunda visita não tivemos dúvida e levamos”, conta Wanderley.

“Queremos continuar fazendo nossas viagens e encontros. Não vamos vender de jeito nenhum. Vai ficar para os netos.”

Motor 4 cilindros, 40 CV e câmbio de três marchas. Partida elétrica, sistema de ignição com distribuidor e bobina, refrigeração forçada com bomba d’água, amortecedores hidráulicos, freios varão nas quatro rodas e farol caça mulata. Tudo isso para alcançar 105 km/h, marca expressiva na década de vinte. No entanto, foi um acessório no mínimo inusitado que se transformou em uma das principais características do Baratinha dos Mazzali. “É esse assento que fica na parte de trás do carro que o pessoal chama de ‘banco de sogra’. Então me veio a ideia de fazer essa brincadeira. Fui lá no Brás e comprei esse manequim, depois dei um trato nela, coloquei cabelo, roupa e chapéu. Todo primeiro domingo do mês tem um encontro na estação da Luz. O pessoal fica louco pra tirar foto com ela, fazem até fila. Aí meu filho ainda falou, ‘pai, o pessoal da revista tá vindo aqui fazer as foto do carro, é melhor tirar a sogra’. Mas a sogra é a marca registrada dele, não tem como deixar de fora.”

Com quase noventa anos de idade, o Ford Baratinha dos Mazzali já é um senhor de idade. Como o próprio Wanderley diz, “de vez em quando ele tem umas dores de barriga, aí nós levamos no nosso mecânico de confiança.” Mesmo assim, arrumar peças para um carro dessa idade não é problema. “A gente acaba conhecendo muita gente nesse meio, principalmente no Clube do Fordinho. Qualquer peça que a gente precisar é só sair perguntando que uma hora encontra. Não tem problema.”

Manter o carro em pleno funcionamento é fundamental para que a família Mazzali não só continue com seu passeios, mas passe a tradição para frente. “Queremos continuar fazendo nossas viagens e encontros. Não vamos vender de jeito nenhum. Vai ficar para os netos.”

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