Um Opala de 43 anos, adotado pela família Parlangeli há 28, que já viveu inúmeras histórias, é o nosso placa preta dessa edição. Hoje, quem dirige o modelo 1973 seis cilindros é Fernando, que conta, com um ar nostálgico e feliz, algumas das lembranças que tem das vivências na direção ou como passageiro.

O carro chegou à família por causa do pai de Fernando, que o comprou para uso no dia a dia. Foi nele que o empresário, com seus 12 anos de idade, pegou no volante pela primeira vez. Foi nele também que aprendeu a dirigir e que, com 17 anos, teve o primeiro acidente, quando disputava um racha com os amigos. “Eu tive a infelicidade, nessa brincadeira, de quebrar o câmbio. Naquela época, eu andei com o carro se arrastando até em casa, mas meu pai usava todo dia e quando ele foi sair na manhã seguinte, o carro não engatava mais marcha nenhuma. De punição ele me deixou 10 anos sem colocar a mão no carro”, contou, de bom humor.

Foi só com 27 anos que Fernando recuperou a permissão para entrar no veículo, dessa vez para pegar a guarda e cuidar dele pelos próximos anos. Agora o Opalão, como foi carinhosamente apelidado pelo dono, o acompanha em vários eventos de antigomobilismo. Foi nesses eventos que Fernando fez grandes amigos, com quem se reúne quase que semanalmente para compartilhar o amor pelos antigos. “É um lugar onde você encontra os amigos, a paixão em comum por carros e as histórias diferentes de cada um com seus automóveis, isso é muito bacana. É importante manter a história, não só do antigomobilismo, mas também da cidade de São Paulo, que está muito relacionada aos carros”, frisou o motorista.

A coisa mais difícil em ter um placa preta, segundo o empresário, é a escassez de peças, principalmente as de acabamento, como frisos e lanternas. “Recentemente precisei trocar o friso da seta dianteira, foi praticamente impossível achar. Depois de muita procura comprei por 600 reais, uma usada da internet. Além de tudo, quando ela chegou o diâmetro não bateu e eu não consegui usar”, contou. Lá fora a cultura dos carros antigos é maior, mas para o Opala, que é 100% nacional, nem isso ajuda, o que dificulta a manutenção. A técnica dele é a de garimpar, principalmente nos desmanches, comprar tudo que acha em boa qualidade e deixar de reserva para o dia que precisar.

“Vai ser mais um xodó na minha coleção”

A paixão é tão grande que em 2010 ele decidiu abrir uma oficina, para estar cada vez mais perto desse universo. Agora, porém, ele voltou para o mundo corporativo, mas não deixa de mexer em seu Opala e em seu fusca, carro que também é uma herança de família e que levou seus pais para a lua de mel. No segundo ele trabalha há 10 anos, tudo pelo valor sentimental e pelas histórias que carrega. “Eu só iniciei a restauração desse carro por causa da história, não valeria a pena financeiramente. Vai ser mais um xodó na minha coleção”, ressaltou Fernando.

Toda essa relação com o carro cativou também sua filha mais velha, que é encantada com fuscas e não perde um dos encontros dedicados ao carro simpático. Assim, o amor por antigos sobrevive de geração em geração na família de Fernando. Sobre o Opala, que o levou para praia quando criança e agora leva sua filha, ele conclui: “É a graça das minhas filhas, a alegria delas é andar naquele banco inteiriço da frente do carro. Não troco, não dou e não empresto”.

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