Você está no meio de uma viagem. Tudo está ocorrendo conforme o esperado. O som está sintonizado na sua rádio favorita, as crianças estão distraídas em seus celulares, a paisagem do campo constrói um pano de fundo agradável. Mas de repente alguns trancos começam a surgir, e ao olhar o indicador de combustível o tanque cheio de horas atrás já se foi completamente. O que fazer? Como aquele combustível todo acabou?

Essa situação, mesmo que fictícia, é vivenciada mais vezes do que imaginamos. E ambos os sinais (trancos no carro e esvaziamento rápido do tanque) podem ser indícios nítidos de consumo de combustível adulterado.

Denuncie combustível adulterado: Centro de Relações com o Consumidor da Agência Nacional do Petróleo pelo telefone 0800-970-0267 ou pelo site da agência

“A adulteração por adição de solventes à gasolina e ao diesel é bastante comum. Ela pode ser considerada a mais danosa ao motor e ao carro, pois determinados solventes atacam os materiais com os quais entram em contato”, explica o engenheiro Henrique Pereira, membro da Comissão Técnica de Motores da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade).

Ainda que a fiscalização de postos feita pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) seja constante, os casos sobre consumo inadequado não torna o cenário nada agradável para motoristas. Além de render menos, o seu uso pode gerar danos para diferentes peças do carro. Isso afeta não só a sua experiência com o automóvel como também o seu bolso.

Quais peças podem ser afetadas?

Isso pode ser definido pelo caminho por onde esse combustível percorre.

Tudo começa pela bomba de combustível, que logo se estende para o medidor de nível (boia do tanque), o filtro de combustível, o bicos injetores, as velas, o sensor de oxigênio, o catalizador e, por fim, chega a todo o sistema de escape (silencioso e abafador).

Como saber se eu consumi um combustível adulterado?

Alguns sinais são perceptíveis no próprio veículo, como:

  1.    Falha na partida: apesar de não representar necessariamente um problema no combustível, essa falha podem ser um primeiro sinal de que há algum erro nesse sentido.
  2.    Consumo elevado: caso tenha mudado de posto e tenha percebido um consumo diferente do habitual, vale a pena se atentar.
  3.    Perda de potência: o motor é uma das peças mais comprometidas. Perda repentina de potência, barulhos incomuns, engasgos no motor e falhas no escapamento são sintomas a se observar.

Separados, todos esses sintomas podem indicar diversos problemas. Juntos são um forte indício de má qualidade do combustível usado.

Como evitar armadilhas?

Antes de tudo, sempre abasteça em um posto de confiança. De preferência um que esteja instalado há bastante tempo no mesmo endereço e que possua uma bandeira (marca do posto/distribuidora) conhecida.

Peça nota fiscal. É a partir dela que poderá exigir seus direitos em situações delicadas.

Observe o preço do combustível. Desconfie se os valores da gasolina, etanol ou diesel estiverem muito abaixo do normal.

Fui lesado. O que eu faço?

Denuncie o posto ou distribuidora que vende o combustível adulterado. Para isso, basta encaminhar a denúncia para o Centro de Relações com o Consumidor da ANP pelo telefone 0800-970-0267 ou pela página na internet do Fale Conosco da agência.

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