Na última terça-feira, dia 20, aconteceu o fórum “Presença Feminina no Setor Automotivo”, projeto realizado pelo Automotive Business em parceria com a MHD Consultoria. Durante o evento foi apresentado um estudo inédito sobre a participação da mulher no mercado automotivo.

Os números do estudo mostram claramente a diferença da participação de homens e mulheres no setor. Os homens, por exemplo, ocupam 83% dos cargos em empresas da cadeia produtiva. Segundo a pesquisa, um dos fatores que podem contribuir para que as mulheres não se interessem em ter uma carreira no setor automotivo é a “alarmante diferença salarial em relação aos homens, presente desde as posições iniciantes.” Entre os estagiários, a diferença da remuneração entre os sexos é de apenas 0,8%. Porém, quando são analisados os cargos mais altos, como de presidentes ou vice-presidentes, é que se descobre uma enorme discrepância, com mulheres recebendo 33,8% menos que os homens. A desvantagem é bem maior do que a OIT, Organização Internacional do Trabalho, identificou globalmente, em que as mulheres recebem 16% a menos do que os homens nos mais diversos setores.

Uma consideração curiosa apontada pelo estudo foi sobre a participação da mulher durante a crise. Neste ponto, o saldo foi positivo, já que a atuação cresceu de 15% para 17%. “Os dados da pesquisa não explicam por que houve redução maior no número de funcionários homens. Mas os salários, em geral, mais baixos pagos às mulheres podem ter garantido certa proteção aos seus empregos nesse período de contração do mercado. É possível ainda que mudanças culturais tenham contribuído para este cenário ou que o nível mais elevado de escolaridade das profissionais do sexo feminino tenha feito a diferença”, avaliou Paula Braga, diretora de Automotive Business e líder do estudo em entrevista ao próprio portal da plataforma de conteúdo.  

Sobre a escolaridade das mulheres em comparação aos homens, o estudo mostrou que 37% do quadro feminino de funcionárias têm ensino superior completo e 8% contam com especialização. Já entre os homens, apenas 23% têm ensino superior e 6% fizeram curso de especialização.

Quanto ao número de mulheres em cargos de liderança, a pesquisa apontou que houve crescimento de 52,7% no número de colaboradoras entre 2013 e 2017. Ainda assim, as 84 diretoras e 17 presidentes e vice-presidentes não são suficientes para manter a situação equilibrada, já que 60% das empresas entrevistadas não contam com mulheres como diretora, e apenas 13% das empresas ocupam a presidência ou vice-presidência com uma pessoa do gênero feminino.

Por último, outro item mostra porque a mulher dificilmente decide seguir carreira no setor automotivo. Nas empresas participantes da pesquisa, foi observado que a longevidade da mulher no setor é bem menor: 48% têm entre 31 e 45 anos e 11% estão na faixa etária acima de 46 anos, enquanto 53% dos homens têm entre 31 e 45 anos e 21% estão acima dos 46 anos de idade.

A pesquisa Presença Feminina no Setor Automotivo teve como foco fabricantes de autopeças e montadoras de veículos. O relatório final da pesquisa será divulgado em março nas plataformas digitais do Automotive Business.

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