A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Segundo a Anfavea, em média, o país recebe 76% das exportações do Brasil de veículos leves e 46% de caminhões e ônibus. No entanto, os últimos tempos não parecem ser um dos melhores para nosso país vizinho. Até que ponto a crise argentina pode atrapalhar o mercado automotivo brasileiro? Estaria a ponto de criar uma crise automotiva?

Com a dificuldade do governo de Mauricio Macri em proteger a moeda argentina da desvalorização, o país tem se deparado com um cenário econômico um tanto quanto conturbado. Ao estar entre os setores mais sensíveis, o automotivo ameaça uma queda não só nas vendas de veículos, como também na cadeia produtiva e nos empregos gerados pela produção.

um porto marítimo com diversos carros enfileirados, fazendo uma alusão ao tamanho que uma crise automotiva pode trazer

Para o professor de comércio exterior da USP (Universidade de São Paulo) Celso Grisi, a queda na demanda por carros na Argentina deve afetar sim o PIB. Inclusive, parte dessa projeção já começou a se materializar. Se observarmos as vendas de veículos leves, caminhões e ônibus para o exterior, elas ficaram em 64,9 mil unidades em junho. Isso representa uma queda de 4,4% em relação ao mesmo período no ano passado.

A QUEDA NA DEMANDA POR CARROS NA ARGENTINA DEVE AFETAR O PIB

Anteriormente, a previsão era de que as exportações pudessem alcançar, no mínimo, 800 mil unidades em 2018. De acordo com novos cálculos da Anfavea, entidade que representa o setor automotivo, agora elas devem ficar em torno de 766 mil unidades. Um número que, para o presidente Antonio Megale, ainda é satisfatório.

Em sua análise ele afirma que os pedidos representam apenas uma queda natural das projeções anteriores. “Pelos pedidos que estão chegando da Argentina e do México, nossos principais mercados, acreditamos que ficaremos no mesmo nível de 2017. O que não é desprezível”. Um fator que relaxa um pouco o mercado em relação a uma crise automotiva.

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