No fim da década de 60, a Ford não era muito atuante no mercado brasileiro. Em 1967, a montadora adquiriu o controle acionário da fábrica da Willys Overland no Brasil e ganhou mais espaço. Ainda assim, a marca não conseguia atender todo o tipo de cliente no país. Em 1968, a Chevrolet lançou o Opala, que era classificado como um carro médio de luxo. A montadora então teve que dar uma resposta a General Motors e trouxe às ruas brasileiras o Maverick.

No Brasil, o carro foi apresentado no Salão de Automóvel de São Paulo de 1972. Mas apenas saiu numa linha de montagem nacional em 1973. O Maverick foi lançado inicialmente em três versões: Super, Super Luxo e GT. E é desta última que iremos falar mais no Placa Preta.

Em São Paulo (SP), o metroviário José Rogério é um apaixonado pelo modelo da Ford. Atualmente, ele é o proprietário de um Maverick 74 versão GT. Mas, já teve outros dois anteriormente. “O meu primeiro eu comprei quando eu tinha 24 anos. O apelido dele era ‘Geladeira’, porque era pintado com a cor azul-bebê. O carro tinha uma estrutura bem ruim, apesar de ter uma mecânica razoável. Sempre quando chovia eu tinha que deixar ele no sol, colocar toalha, torcer, dava trabalho nesse sentido. Aí eu fui comprando peças para restaurar o carro, mas tive que me desfazer dele antes de dar seguimento no projeto”, relata.

Mesmo assim, José Rogério não desistiu de seu sonho. “Passou 2 ou 3 anos, e comprei outro para fazer um projeto. Estava em melhores condições, mas dei muito azar com o carro. Cheguei a fazer o motor, mas mesmo assim não consegui me divertir com o veículo, pegar para dar uma volta, já que ele sempre me deixava na mão. Aí eu entendi que ele não era para mim”, afirma.

Em 2016, a sorte do apaixonado por carros antigos virou e o Maverick 74 chegou em excelente estado às suas mãos. “Ele já estava muito bem montado. O carro foi feito em uma oficina especializada pelo dono anterior, que fez o procedimento correto. Quando você pega um carro para restaurar não é interessante você ir fazendo aos poucos, o bom é você juntar tudo e fazer de uma vez. Porque fica tudo novo, o acerto é todo realizado de uma vez só, exatamente como ele fez. O veículo tá com mecânica de oito cilindros, foi refeito inteiro e passou por um banho de tinta”, explica.

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O Maverick 74 tem um motor V8 de 5.0l 302, que gera uma potência de 199 cavalos. Ao final da quarta marcha, o possante versão GT atinge os 200 km/h. Como era para ser um carro mais econômico e popular na época em que foi lançado, o seu motor era mais amansado em comparação a outros modelos similares, como o Mustang, da mesma montadora. Ainda assim, especificações perfeitas para quem gosta de um muscle car.

Diferente de alguns colecionadores, José Rogério gosta de utilizar o seu Placa Preta quando pode. “Tem gente que deixa o carro o quanto mais imaculado possível. Eu não. Sempre quando tenho oportunidade de sair com ele eu dou uma volta. Trabalho muito de fim de semana e de madrugada, então é perfeito para andar com ele pelas ruas, já que elas estão mais vazias. Aí dá para curtir o barulho do motor. Pego estrada com ele, já fui até Peruíbe (SP) com esse Maverick”, conta.

“Completamente diferente de um carro atual, em termos de desempenho, estabilidade e freio. Tem que ter um certo cuidado em estrada porque a dirigibilidade é muito peculiar, a sensibilidade do volante, sempre tem uma folguinha, o freio dele é um pouco subdimensionado para o tamanho, peso e potência do carro, e isso fica evidente em uma rodovia. Tem que virar mais o volante também”, explica José Rogério sobre a experiência de dirigir o Maverick GT.

Como um bom Placa Preta, o Maverick 74 do José Rogério é alvo dos olhares dos curiosos. Segundo o proprietário, uma das frases que mais ouve é “se o carro está a venda?”. “Sempre tem alguém que vê o carro e me pergunta isso (risos). Às vezes, vou na loja de um amigo e depois que eu deixo o carro lá vem gente por três dias perguntando pra ele se está a venda, o preço etc. Eu não venderia. Realizei um sonho com ele, colocar ele na estrada”, afirma o orgulhoso dono desse possante.

Confira a entrevista com José Rogério, dono da Maverick 74:

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