De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 12 milhões de pessoas vivem na cidade de São Paulo. Parte de sua população é formada por migrantes, principalmente provenientes das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Muitas delas vieram atrás de uma condição melhor de vida, já que a cidade de São Paulo transformou-se no grande polo econômico do país no século passado. Um desses retirantes chama-se Evandro do Nascimento Ferreira, balconista do auto peças Chibana Autopeças, na Vila Carrão.

Proveniente de João Pessoa, mais precisamente do bairro de Mandacaru, Evandro chegou à capital paulista no ano de 1977, e trouxe consigo a paixão pelo universo automotivo.

“Acho que nasci com esse dom de trabalhar na área de autopeças. Meu ramo sempre foi o automotivo, mexer com carros, peças, essas coisas. (…) com 13 anos, já trabalhava numa oficina.”

“Eu me considero como qualquer outro balconista”

Já na cidade, começou a trabalhar em diversas empresas do universo de autopeças. Foi de estoquista à conferente de peças. Até que chegou à loja da Família Chibana, na zona leste da capital. Nela, iniciou uma trajetória de sucesso como balconista. Já são mais de duas décadas trabalhando no local.

“Conheci a loja através de um amigo. A gente trabalhava em outro lugar e ele saiu de lá para trabalhar aqui. Vim para cá e encontrei com ele, deu certo. Entrei para um período de testes de 1 ano e já virou 25”, conta Evandro, abrindo um tímido sorriso.

Ele é um dos funcionários mais antigos na loja. A longa experiência faz com que seja visto pelos mais novos funcionários como um exemplo. Entretanto, Evandro considera-se como todos eles, já que, no final das contas, a meta é satisfazer o cliente.

“Eu me considero como qualquer outro balconista. Mesmo pelo tempo que eu tenho, sou como todos os balconistas, todos têm o mesmo valor”, ressaltou.

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Apesar da humildade, ele admite que faz questão de ensinar os mais novos quando começam a trabalhar na loja. “Damos um apoio para aqueles que estão chegando, explicamos onde cada peça fica, como são utilizadas, etc. Isso aí ajuda na amizade e na hora de vender. Às vezes uma peça serve para vários carros diferentes e eles não sabem, aí digo ‘pode vender, eu estou mandando vender porque sei que serve’”, conta.

Porém, apenas a ajuda dos mais experientes não bastam. De acordo com ele, é necessário continuar estudando e se atualizando a todo momento. A indústria automotiva se renova a cada ano, e o bom balconista precisa estar atento para não deixar dúvidas na cabeça do cliente.

“Tem que saber o que está vendendo. Eu já cheguei até a conversar com o pessoal que acha que, com o computador, qualquer um pode vender. Vai lá, busca o kit de embreagem da Kombi 1.4 flex, pesquisa o corredor onde ele está e pega a peça. Se estiver correta, vai vender para o cliente. Se ele não conhecer, pode vender a peça errada e não saber. Tem que saber o que está fazendo (…) por isso, tem que ler os catálogos, ter contato com a peça.”

CAMPEÕES DO BALCÃO

Se o nome da loja que Evandro trabalha lhe parece familiar, não estranhe. Ela é de propriedade da Família Chibana, do campeão Pan-Americano de judô da categoria – 66kg, Charles Chibana. Nosso balconista, campeão de vendas da loja, contou um pouco sobre a relação com ele.

“Eu conheço ele desde pequenininho, desde que estava treinando. Quando entrei aqui, ele era bem novinho (…) ficava aqui todo sujo de graxa pegando peça, fazia uma farra. Ía lá, ajudava. Daqui a pouco sumia”.

“Tem que gostar do que vai fazer para ter um futuro melhor”

Hoje, Charles dedica-se inteiramente à carreira esportiva. Isso não impede que continue mantendo contato com a loja da família. De acordo com Evandro, o judoca passa na loja de tempos em tempos para falar com os funcionários. Nada de carregar peça.

Ele afirma que Charles sempre levou muito mais jeito para o judô que para o balcão. Mesmo assim, fez questão de deixar um conselho para quem, diferentemente do judoca, quer seguir carreira na área.

“Principalmente, gostar do que está fazendo. Se vier para passar o dia, não oferecer a mercadoria pro cliente, explicar uma peça pro mecânico, está enganado. Não funciona. Tem que gostar do que vai fazer para ter um futuro melhor”.

Confira a entrevista com Evandro Ferreira, balconista do Chibana Autopeças:

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