Três tipos de moedas no caixa parece algo estranho, assim como dois idiomas na hora do atendimento, mas não no extremo sul do Brasil. É uma das peculiaridades de se trabalhar em uma zona de fronteira: Jaguarão, no Rio Grande do Sul, cidade que faz divisa com Río Branco, no Uruguai, através da Ponte Internacional Barão de Mauá. Lá, Claudiomar Braga, mais conhecido como Braga, fez seu investimento e abriu a Central Auto Peças. Só que até se estabelecer neste pedaço onde brasileiros e uruguaios se misturam, a história deste gaúcho de Canguçu passa por muito conhecimento no ramo e diversas etapas – desde o balcão até a administração.

 “Eu sempre fui uma pessoa inquieta. Sempre quis criar, inventar, fazer diferente”

“No começo não foi por opção. Antes eu era militar, e na época eu optei por não seguir a carreira. Com isso, fui convidado para trabalhar na cidade de Novo Hamburgo por um tio. Lá, tive a oportunidade de gerenciar uma autopeças. Nessa função, começou o trabalho de conhecer e de gostar do ramo, então resolvi arriscar. Convidei o proprietário da empresa em que eu era funcionário para abrir uma filial onde eu entraria como sócio. Ele aceitou e desde então estou há 30 anos em autopeças”, conta Braga.

Claudiomar Braga Balconista Autopeças

O administrador da Central Auto Peças explica que sua vontade de crescer na área, desde o balcão, foi fundamental para seu sucesso no setor. “Eu sempre fui uma pessoa inquieta. Sempre quis criar, inventar, fazer diferente. Então simplesmente ser um funcionário de autopeças valeu a pena porque serviu como uma faculdade. Com o tempo fui me interessando mais pela coisa, conhecendo, e já na formação de técnico de ciências contábeis acabei gostando dessa parte burocrática. Nisso nasceu a primeira empresa, em Novo Hamburgo. Foram 13 anos lá, sendo três como sócio proprietário”, explica. 

Um problema na família fez com que Braga mudasse seu rumo para a fronteira do Brasil com o Uruguai. “Com o falecimento do meu sogro, viemos para cá, já que minha esposa é daqui. Há 18 anos nascia a Central Auto Peças”, revela. “A empresa começou comigo e minha mulher, além de outro funcionário. Eram dois balconistas, entre eles eu, que também administrava a loja, e ela ficava no caixa”, relata.

Em Jaguarão, Braga conheceu as peculiaridades de se trabalhar em uma zona de fronteira. “O mercado aqui é diferente. Nós trabalhamos com três moedas: real, peso uruguaio e dólar. Existe um acordo nacional que na divisa você pode operar no caixa com todos esses câmbios”, conta.

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Segundo Braga, cerca de 30% dos clientes da Central Auto Peças são uruguaios. É nessa hora que aparece a barreira da língua, mas o administrador conta que os dois povos se entendem mesmo assim. “É tranquilo. Usamos o portunhol. Eu não falo espanhol, mas eu entendo eles e vice-versa. Algumas palavras a gente chuta e outras aprendemos. A vela chama bujía, o pneu é a llanta etc. No fim a gente se entende. Por último se o idioma está sendo um problema, o cliente nos mostra a peça no carro”, afirma Claudiomar, que tem dois balconistas do Uruguai em sua loja e exibe um anúncio em seu balcão com um número de telefone especialmente para clientes de fala hispana.

“Não adianta só querer. É ter atitude, ação, esse é o diferencial”

Atualmente com 18 funcionários na Central Auto Peças, Braga dá o segredo para ser bem sucedido no setor. “Precisa conhecer bastante sobre o ramo, e depois ser um empreendedor. Não adianta só querer. É ter atitude, ação, esse é o diferencial. Além disso, o financeiro é importante, porque sem dinheiro nada acontece. Tudo flui de acordo com a sua vontade. Você precisa ser coerente, responsável, comprometido e atinado. Eu sempre digo, o tino é o detalhe de tudo”, diz.

Ainda assim, Braga reconhece que sua experiência como balconista foi muito importante para crescer. “Ela contribuiu no conhecimento. É muito gostoso você trabalhar com algo que conhece. Te dá uma luz, deixa as coisas mais claras. Eu vejo todo administrador desse ramo, que passou pelo balcão, com um pouquinho mais de credibilidade”, finaliza.

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