Quantas vezes você já não ouviu alguém dizer “lugarde mulher é pilotando fogão”? Ainda que popular, essa frase é a representação exata de um obstáculo enfrentado há anos por mulheres que tentam migrar para o setor automotivo: o machismo.

O setor automotivo e o público feminino estiveram afastados por décadas. Mas graças a desconstrução dessa ideia, cada vez mais profissionais do gênero estão conseguindo mostrar o seu trabalho para consumidores desse mercado.

A fim de debater os desafios ainda enfrentados por mulheres no balcão, convidamos a especialista em vendas Priscilla de Sá para esclarecer alguns pontos sobre o tema.

Confira a entrevista.


Boa parte das mulheres ainda enfrenta o desafio de superar o tal “não quero ser atendido por uma mulher”. Como contornar essa situação?

Durante muito tempo, automóveis foram um símbolo de status masculino, uma espécie de extensão do corpo do homem. Só que hoje se sabe que 85% das decisões de compra (incluindo imóveis e automóveis) são tomadas por mulheres. Isso porque temos um olhar mais voltado para o bem comum, escolhemos o que vai ser útil para o maior número de pessoas à nossa volta. Também somos muito detalhistas e capazes de manter a atenção concentrada por mais tempo, o que significa menos retrabalho. Isso faz toda a diferença no dia-a-dia do balcão de autopeças.

Qual o diferencial do atendimento feminino?

Nós, mulheres, temos sido educadas para servir e nos orientar mais para pessoas que para números. Isso sem dúvida faz com que o atendimento ao público seja uma área confortável para nós, nos levando a um melhor desempenho.

Entendemos e gostamos de gente. Valorizamos relacionamentos. Isso faz de nós boas resolvedoras de problemas.

Por que muitas mulheres se encontram na área de vendas?

Sabemos que as mulheres tendem a receber 30% a menos que os homens, mesmo tendo a mesma qualificação, tempo de casa e função. Para fugir dessa desigualdade, muitas mulheres encontram, em vendas, o retorno material proporcional ao empenho delas, a tão falada meritocracia, na prática.

O machismo é um dos grandes empecilhos para crescimento de profissionais mulheres. Como desmistificar a ideia de sexo frágil na jornada pela liderança?

A força física perdeu a supremacia para competências como resiliência, inteligência, e empatia. Logo, a liderança pode e deve ser exercida também por mulheres. As empresas que relutarem a reconhecer os atributos que elas trazem para o jogo vão perder competitividade. A desconstrução do machismo é um trabalho de todos: das mulheres não se calarem diante da discriminação e dos homens apoiarem o crescimento delas. Quanto mais diversos os ambientes de trabalho, mais soluções criativas são geradas e mais justiça haverá no mundo.

Qual o segredo para uma vendedora alcançar o sucesso?

Conhecer muito bem o produto ou serviço, entender a dor e o desejo do cliente, não levar a rejeição para o lado pessoal, construir relacionamentos e ter uma meta pessoal ambiciosa.

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