Comentarista e piloto. Felipe Giaffone é mais um apaixonado por automobilismo. Nascido em São Paulo, o piloto de 43 anos da Copa Truck pela RM MotorSport é um dos grandes nomes do esporte. Campeão da Fórmula Truck em quatro oportunidades, ele também já teve a experiência de correr na Fórmula Indy.

Atualmente, Giaffone também concilia a carreira no esporte com a de comentarista. Ele comenta competições de automobilismo na TV Bandeirantes, principalmente corridas da Fórmula Indy. Dividindo a vida entre o caminhão e a TV, ele encontrou um espaço para conversar com a nossa reportagem.

– Como surgiu a paixão pelo automobilismo?

Veio do meu pai, que corria de stock car. Estive desde cedo acompanhando as pistas, então foi “automático”. Meu pai proibia eu e meu irmão de correr, segurava bastante. Mas não teve como segurar a nossa entrada no Kart aos 12 anos. 

– Como foi a sua experiência na Fórmula Indy?

Foi uma experiência bem bacana, mas a pressão como piloto acaba fazendo com que você não aproveite muito, principalmente as horas boas. Quando você é mais moleque, tem toda aquela vontade de andar. 

Felipe Giaffone dirigindo carro de formula indy

– Você venceu uma corrida pela categoria no oval de Kentucky. É a sua melhor lembrança no esporte?

Falando sobre essa vitória em Kentucky, eu lembro que logo em seguida teve uma corrida. E hoje em dia eu aproveito muito mais uma vitória na Truck do que aquela única que venci. É muito louco, porque você vence uma corrida e acaba já pensando na próxima, e creio que por ser muito novo, não tinha experiência nisso, não soube aproveitar, relaxar e tirar aqueles 4 ou 5 dias para pensar naquele momento que era bom. E acho que isso você só vai ganhando com a experiência. 

– Qual a dificuldade de correr as 500 milhas de Indianápolis? Você chegou a terminar na 3ª posição na Edição de 2002…

A participação em Indianápolis em 2002 foi a minha melhor mesmo. Eu estive muito próximo de vencer lá. O Hélio Castroneves acabou vencendo, mas ele estava sem combustível, tiveram vários acontecimentos no finalzinho. Eu tinha o melhor carro no final, foi uma pena mas ao mesmo tempo muito bacana. Indianápolis é uma pista super especial, onde naquela época você treinava o mês inteiro. Hoje, para os pilotos novos  ganharem a experiência dos pilotos antigos em Indianápolis, vão precisar treinar muito. Nas atuais condições, se você é um piloto bom e tem um carro bom, aparece logo de cara, mas quando precisa da experiência, com as mudanças de vento, e condições de pista, faz com que o pessoal mais velho leve vantagem, porque é uma pista muito única. 

– Como foi a oportunidade de ter corrido pela AJ Foyt, e trabalhado, consequentemente, com a lenda da equipe, AJ Foyt JR?

Quando eu era piloto, havia prometido que não guiaria por eles, porque os carros eram muito “podres”, mal-montados e perigosos. Mas aquela chance era a única que restava, e eu acabei pegando. Foi uma experiência bacana. Na verdade foi ótimo, porque foi onde eu encerrei mesmo. Quando acabou aquele ano, eu tinha certeza que seria o meu último na Fórmula Indy, porque o carro não era competitivo, mas foi importante para eu fechar um ciclo (…) O AJ é um cara muito legal com histórias incríveis, mas acabei pegando um “bode” da equipe dele, do pessoal de trabalho. Esse lado foi muito ruim.

– E qual a sensação de ter vencido a Fórmula Truck em quatro oportunidades?

Foi muito legal. Eu já tinha feito algumas provas com o Roberva (Andrade, também piloto da categoria), depois com Tato, e quando eu voltei já tava decidido a não andar mais (em 2007). Não queria mais ver nenhum carro de corrida, e o Renato Martins me convidou para correr, ele tinha acabado de ser campeão. E isso foi bem legal, logo na estreia eu ganhei o campeonato. Então para mim foi muito bacana. No começo apanhei um pouquinho para aprender sobre o caminhão, depois fui pegando o jeito, guiando por uma das melhores equipes lá. Isso com certeza trouxe todo o ânimo que eu precisava para voltar a correr.

Felipe Giaffone em frente ao caminhão da formula truck

– E sobre a mudança da categoria, que agora chama-se Copa Truck. Alguma coisa mudou para vocês (pilotos)?

A Copa Truck tornou-se mais difícil de vender hoje por causa do rastro de dívidas da Fórmula Truck no mercado, com fornecedores, autódromos, tudo. O pessoal lá deixou uma imagem muito ruim e então a Copa ainda está apanhando mas a Ford já está no evento e a Mercedes e a Volks estão apoiando as equipes. Então está no caminho certo. No ano passado foi muito difícil. Mas tem sido muito bacana. Venci logo no primeiro ano da Copa Truck, apesar de não ser um Campeonato Brasileiro, porque a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) não autorizava naquele momento usar o nome de “Campeonato Brasileiro”. Mas surgiu esse lance das Copas (regionais), o que é bem legal também.

– Como é conciliar a vida de piloto com a de comentarista?

Foi algo que começou sem querer. Comecei a fazer algumas corridas como convidado, às vezes com o Luciano do Valle, mas foi o Téo José que me colocou como comentarista contratado mesmo. Ele que colocou na cabeça do pessoal da Band na época que precisava fechar alguma coisa direto comigo. E por lá estou muitos anos já.

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