Florianópolis é um dos principais destinos no país para quem procura belas praias e paisagens tropicais. Prova disso, é que a ilha já é o segundo destino mais procurado por estrangeiros no Brasil. Foi neste cenário, que Newton Nelson Pereira, de 47 anos, fundou a Orion Comércio de Peças e Serviços Automotivos. Um local que reúne a venda de peças automotivas e o serviço mecânico.

Localizada em um grande galpão na Rodovia Francisco Magno Vieira, próximo ao centro da cidade, o negócio, popular na região, já acumula 16 anos de história. “É uma herança para a família”, conta Nilseia Berner Gaspar, esposa de Newton. Desde o começo, ela esteve ao lado do marido para ajudar a consolidar a empresa na região. E ainda que não entendesse muito de mecânica automotiva, se mostrou excelente em administrar o comércio das peças e do próprio negócio em si.

Nilseia passa a maior parte do seu dia em uma sala logo na entrada do estabelecimento. Ali, mantém todo o controle do que entra e do que sai da Orion. Recebe os clientes, analisa o que precisam e logo os oferece a solução: seja ela uma peça ou um reparo. Ao seu lado, uma casinha de bonecas junto a alguns brinquedos. A dona de todos eles: sua filha de 6 anos. “Quando não está na escola, ela gosta de ficar por aqui. Parece que o gosto pelo negócio já está no sangue”, explica.

Mesmo que a pequena ainda não tenha idade suficiente para administrar o negócio junto com os pais, é no filho mais velho que Nilseia e Newton veem a recompensa pelo esforço da família. Entre os sedãs, as minivans e os SUVs, Ygor Gaspar Pereira, de 22 anos, passa boa parte do seu dia. No conserto dos carros encontrou a sua paixão. E ainda que esteja numa cidade repleta de turistas a procura de uma aventura, o lugar lhe oferece suas próprias histórias.

“Sempre recebemos gente do mundo inteiro aqui. Por ser uma região muito turística, isso acontece com frequência nas altas temporadas. Certa vez, quando aconteceu uma forte enchente na ilha, uma família argentina veio nos procurar. O carro estava destruído pela água e precisaríamos de alguns dias para consertá-lo. Como não tinham um lugar para ficar nesse período, decidimos abrir as portas da nossa casa para receber eles”.

Para muitos a atitude pode até parecer estranha, mas para a família esse é um ato natural de empatia. “Temos os nossos filhos. Muitos dos que passam por aqui estão em um momento de lazer com a família. Quando vemos um caso como esse, é impossível ficar de braços cruzados e não fazer nada”, explica a mãe. A experiência com os argentinos foi um caso marcante, mas seria no visita de uma família americana que a loja se transformaria num acampamento improvisado.

“Eles já estavam viajando há cinco anos pela América Latina num motorhome. Antes de seguir viagem rumo ao nordeste do país, decidiram parar aqui. Foi exatamente nessa parada que o carro quebrou de vez”, relembram a história. De acordo eles, a família já havia feito uma série de adaptações na van para ser semelhante a um trailer. Na Argentina, o veículo apresentou o primeiro sinal de que algo não estava ok. E foi então que colocaram uma injeção que resultou o problema lá na frente.

“O carro tinha morrido de vez, não conseguia mais andar. Vendo a situação, resolvemos deixar eles acamparem aqui. Até chegamos a oferecer nossa casa, mas eles preferiram a van. Ela já tinha se tornado a casa deles”, conta Ygor. Enquanto consertavam o carro, auxiliavam a família no que era preciso. Quanto a língua, tudo era resolvido na base do improviso. “Ninguém aqui é fluente em inglês. Foi com esforço e dedicação que tudo deu certo”.

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A família hospedada na oficina era a dos americanos Adam Harteau, de 39 anos, Emily Faith, de 37, e suas duas filhas, de 3 e 7 anos. Ambos documentavam toda a viagem em seu Instagram, “Our Open Road”. Após o ocorrido, eles dedicaram um post só para agradecer os catarinenses. “Se você está considerando uma vida de van, saiba que isso provavelmente fará parte dela. Grato por ter estado em um lugar com mecânica habilidosa, chuveiro quente e um pé de maracujá delicioso do lado de fora”.

Apesar do momentos felizes e das boas histórias, eles ressaltam que nem sempre as coisas são mil maravilhas. “Temos os nossos conflitos. Às vezes algumas coisas temos que resolver em casa, mas são problemas que qualquer negócio familiar tem”, explica Nilseia. Mesmo que tenham que resolver algumas pautas no café da manhã, é com felicidade que eles concluem: “essa é a nossa vida, e a parte mais gratificante dela é poder trabalhar em família”. 

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