Quem viveu essa época deve ter modelos de referência na própria cabeça. A marca Chevrolet tinha uma dominância forte no mercado de carros no Brasil, disputando com outras como a Fiat. Mas até mesmo montadoras nacionais produziram carros de impacto nesse período. Descubra aqui quais foram os carros mais célebres dos anos 80, que marcaram a década.

Na aparência, eles têm alguns traços muito marcantes em comum. Dando uma olhada nas fotos de cada modelo abaixo, o leitor perceberá que as semelhanças entre eles ficam bastante claras: há uma preferência por formatos mais angulares, quadrados. Quase todos são sedans, e os detalhes são mais grossos e em cores escuras. Geralmente, possuem 2 portas.

Cada um possui particularidades maiores relacionadas às especificidades do motor (como sua potência). Mas a maioria deles tinha um motor de por volta de 1.5 litro. Como já havia montadoras instaladas dentro do país, eles costumavam ser produzidos e montados aqui mesmo.

Conheça alguns dos modelos que definiram a década.

1. Gurgel Itaipu E-150 e E-400 – o caso brasileiro

Você achou que mini-carros fossem uma proposta moderna no mundo automotivo? Pois saiba que desde os anos 70 já havia quem os projetasse mesmo no Brasil. Em 1974, especificamente, foi a vez da Gurgel Motores lançar um modelo chamado Gurgel Itaipu E-150

Até hoje, as pessoas podem ter a lembrança vaga do seu formato compacto, com lugar apenas para 1 passageiro. Ele geralmente vinha na cor vermelha, mas não se tornou exatamente popular. Afinal, a produção em série não foi levada adiante.

Ainda assim, ele representou um marco: foi o primeiro carro elétrico produzido em toda a América Latina – e era brasileiro. O projeto não teve um futuro brilhante, mas uma outra alternativa da Gurgel teve sucesso logo em seguida.

O Gurgel Itaipu E-400 era um modelo bastante diferente em aparência. Ele era comprido e se encaixava nas categorias picape e furgão, sendo produzido pela primeira vez em 1981. Também acabou se tornando um marco histórico, porque foi o primeiro automóvel elétrico produzido em série no país.

Sua capacidade, como o próprio nome já denuncia, era de quatrocentos quilogramas, chegando aos 80 km/h. Ele marcou os anos 80 talvez não pela popularidade, mas pelo fato de que introduziu os modelos elétricos na América Latina, abrindo espaço para que outros fossem desenhados depois.

Gurgel, um carro clássico dos anos 80

Sobre a Gurgel Motores:

Essa foi uma fábrica 100% brasileira. O seu fundador e engenheiro, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, tinha o intuito de produzir automóveis que fossem inteiramente nacionais. Para isso, conseguiu abrir a empresa em 1969 na cidade de São Paulo, e tocou esse projeto por 27 anos. Foram 40 mil veículos produzidos ao longo desse tempo todo.

O engenheiro, formado na Escola Politécnica de São Paulo, fez história ao fabricar carros populares. Entre seus modelos conhecidos, estavam o Ipanema (seu primeiro), o Xavante, o Plasteel, o X12, o BR-800 e os Itaipus.

Conseguiu alavancar seus carros por muito tempo, mas o governo de Fernando Collor foi uma pedra no meio de seu caminho. O presidente abriu o país para a vinda de carros de multinacionais, que produziam veículos mais baratos e modernos. Em 1994, sem ter como competir, a Gurgel precisou parar de funcionar.

Sua presença continua marcando a história do país como uma das poucas montadoras 100% nacionais que de fato deslancharam.

2. Fiat Uno

É muito provável que a geração atual tenha uma imagem diferente na cabeça quando esse nome é citado. O primeiro “Fiat Uno”, afinal, foi lançado lá no início dos anos 80, e a sua versão mais recente, de 2010, ficou bastante conhecida e popular. Muita coisa mudou de um modelo para o outro e não só na aparência.

O primeiro deles, de 1983, foi estreado na Europa. A Fiat vinha lançando vários automóveis de formato menor e, ao longo da década de 70, vinha sentindo uma competição forte de modelos parecidos japoneses. O Fiat Uno surgiu como uma tentativa de retomar o protagonismo nesse mercado, e foi uma continuação de dois modelos de carro italianos: Lancia e Autobianchi Y10.

(Se pesquisar no google por um segundo, vai perceber as semelhanças muito claras!)

O Fiat Uno fez muito sucesso já em seu ano de lançamento, sendo eleito Carro do Ano na Europa. Diferentes versões deles foram sendo desenhadas ao longo das décadas, mas nenhuma fez tanto sucesso como uma recente, de 2010.

Ele também foi chamado de Novo Uno. Abriu a segunda década dos anos 2000 com um estilo muito mais moderno e esportivo. É muito nítido o quanto a aparência foi estilizada: ele passou de formas bastante angulares e quadradas para um formato muito mais arredondado e com uma preocupação maior com os detalhes estéticos.

Até suas cores são mais chamativas: uma das imagens mais famosas é justamente de uma lataria em verde abacate. Ele surgiu como uma releitura, mas com o conceito de “Round Square” – feito para atrair gostos mais jovens. Outras versões ainda foram lançadas dessa mesma releitura, e o carro ganhou novas alterações e foi relançado também em 2014.

carros dos anos 80

Sobre a Fiat:

O nome Fiat, por sua sonoridade, pode dar a impressão de ter vindo dos Estados Unidos. Mas, na verdade, essa é uma sigla para Fabbrica Italiana Automobili Torino (em português, Fábrica Italiana Automobilística de Turim). Foi fundada por Giovanni Agnelli em 1899 e, no início, fabricava mais veículos industriais e agrícolas.

Com o tempo, no entanto, sua linha de produção foi mudando. A montadora passou a fabricar até mesmo metralhadoras e submarinos, no período das grandes guerras do século XX, e então foi se diversificando em modelos. Sua produção se voltou para automóveis comuns e a empresa se espalhou em diversos países – inclusive no Brasil.

3. Chevrolet Chevette

Ele já foi o carro mais vendido do Brasil, no ano de 1983. Permaneceu em alta por muito tempo no mundo inteiro, alcançando seu máximo de vendas no final da década de 70 e meio dos anos 80. Por mais que tenha sido fabricado em 1973, sua fama se consolidou na década seguinte – motivo pelo qual esse clássico automotivo se encontra nesta lista.

Ele na verdade é a 3ª geração de um modelo chamado Opel Kadett, lançado pela primeira vez na década de 30. Suas semelhanças são muitas, mas o Chevette tem um visual mais quadrado e foi considerado um veículo de grande potência. A maioria dos carros desse modelo, produzidos ao longo dos anos 80, tinham motor de 1,4 litro, com carburação simples e dupla.

Fabricado pela General Motors, foi eleito o Carro do Ano duas vezes pela Revista Autoesporte: em 1974 e 1981. Seu antecessor foi o Vega, um modelo bastante estiloso mas que havia trazido problemas como corrosão e confiabilidade.

Nesse período, uma das crises do petróleo vinha chacoalhando preços no mundo inteiro, e a ideia de lançar um novo carro como o Chevette era disponibilizar um veículo que consumisse pouco combustível. Afinal de contas, os preços da gasolina estavam muito elevados. Enquanto montadoras passavam a fabricar automóveis a álcool, a GM produziu um modelo eficiente.

No final dos anos 80, já tinha vendido mais de dois milhões de carros nos Estados Unidos, e, no Brasil, foi o carro mais vendido em 83. Sua popularidade pode ser sentida até hoje andando pelas ruas do Brasil: ainda há um ou outro modelo passeando pelas ruas (ou derivações desse Chevette).

carros dos anos 80

Sobre a General Motors:

A montadora que distribuiu esse modelo de carro pelo Brasil foi a Chevrolet. Mas essa é um dos braços da General Motors, estadunidense. A GM é uma das maiores fabricantes de carro do mundo inteiro e a chave de seu sucesso esteve (entre vários fatores) em comprar outras fabricantes menores à época: hoje ela abriga marcas como Buick, Cadillac, Chevrolet e Pontiac.

Ela nasceu em 1908 e logo em 1930 já havia adquirido 30 marcas diferentes. Em 1956 já era considerada a maior montadora de automóveis do mundo. Expandiu-se pela Europa e, na Segunda Guerra Mundial, teve um papel forte. Concentrou-se na produção de materiais bélicos (como tanques) para os Aliados (EUA, França, Inglaterra, URSS, entre outros).

Quando essa guerra chegou ao fim, a empresa assumiu a produção de automóveis e essa foi crescendo muito, com uma série de novos modelos melhorados por inovação técnica e design. Tentou baratear seus produtos, tornando-os mais econômicos, mas também ficou conhecida por modelos sofisticados.

Ela foi a primeira montadora a produzir automóveis elétricos em escala, em 1996.

4. Ford Del Rey

Esse sedan foi lançado no ano de 1980, marcando o início da década. Ele oferecia suas possibilidades: o carro de 2 ou de 4 portas. Sua história é interessante, porque a Ford expôs os dois modelos para que os consumidores finais respondessem qual deles preferiam. A versão final escolhida era baseada em dois modelos anteriores: o Ford Granada MKII e o Ford Taunus.

Esses dois modelos citados eram da Ford Inglesa e da Ford Alemã: portanto, o resultado final, o Ford Del Rey, tinha influências europeias.

Ele tinha um porte médio, três volumes muito bem definidos e um motor bastante econômico. Afinal, como já comentado antes, o mundo inteiro estava passando por uma das crises do petróleo e a gasolina estava custando muito caro. Para que a demanda pelos modelos aumentasse, era preciso que eles consumissem menos gasolina.

O Ford Del Rey teve duas gerações, ambas dentro da década de 80. Na segunda, ele ganhou uma frente com uma grade aerodinâmica. Seu motor de 1.6 passou a 1.8, o que fazia o consumo subir só um pouco mais. Em 1991, esse modelo acabou saindo de linha, parando de ser produzido, mas marcou a década por modernidades como travas e vidros elétricos.

carros dos anos 80

Sobre a Ford

Essa montadora tem uma história bastante interessante. Afinal, o seu fundador foi Henry Ford, conhecido mundialmente por revolucionar o processo de fabricação de carros.

Em seu novo método de produção, o fordismo, havia uma linha de montagem com funções mais específicas realizadas por cada um dos funcionários da empresa. Isso permitiu que os carros passassem a ser produzidos em massa, de início com poucas variações de modelo e preço. 

A Ford foi fundada no ano de 1903, nos Estados Unidos. Tem fábricas pelo mundo inteiro e, apesar de já ter chegado perto da falência durante sua história, ela está na posição de segunda maior montadora dos Estados Unidos, perdendo somente para a General Motors.

5. Chevrolet Monza

O último modelo dessa lista, o Chevrolet Monza, teve uma popularidade imensa no Brasil e também foi fabricado pela Chevrolet (General Motors), foi um dos mais icônicos carros dos anos 80. Foi produzido de 1982 a 1996, e considerado o Carro do Ano em três momentos diferentes pela Revista Autoesporte brasileira: em 1983, 1987 e 1988. Foi o carro mais vendido no Brasil também em três anos: 1984, 1985 e 1986.

Foi um grande marco dos anos 80 no país, sem dúvida. Sua 1ª versão tinha 3 portas e motor transversal de 1.6. Suas características foram sendo remodeladas de ano a ano, e ele chegou a aumentar sua performance com um motor de 1.8 no mesmo ano em que foi lançado. Ganhou versões em Sedan com 4 portas e até com 2 portas (o modelo mais vendido, curiosamente).

Seu momento de ir embora das ruas veio no final da década de 90. Em 1996, o Chevrolet Vectra foi introduzido no país, com o seu formato muito mais arredondado que já indicava que o gosto pelo design quadrado estava indo embora. O Monza não teve muitas chances e acabou parando de ser fabricado pela montadora.

Eis que, anos e anos depois (quase 40!), o Monza ganha uma nova versão – completamente remodelada. O ano é 2019 e, dessa vez, o carro só será produzido na China. Ele tem um comprimento de 4,63 metros, considerado bastante espaçoso, e um motor 1.3 turbo de 163 cavalos.

Seu visual é extremamente diferente do antigo: tem uma cara muito mais esportiva, com vários detalhes pintados em preto e formato não tão arredondado, com design tipo colmeia. A sua propaganda exibe um modelo em um vermelho forte. Suas lanternas e faróis são de LED, a antena de rádio é diferenciada e ele possui um teto solar.

Com um jeito mais moderno, ele é completamente diferente do seu antecessor fabricado no Brasil. A Chevrolet comentou que a empresa sempre verifica as especificidades e demandas de cada país antes de decidir como irá realizar sua próxima produção. Quem sabe em algum momento o modelo também venha até o Brasil.

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