O Papa é a maior figura da igreja católica nos últimos séculos. Segundo a tradição, ele é a figura que definirá o destino da fé cristã enquanto estiver no poder. Ele é uma pessoa importante para a religiosidade e história do mundo, responsável por realizar trabalhos de caridade e de direitos humanos.

Por rodar os quatro cantos do mundo, o pontífice necessita de um automóvel – o famoso papamóvel. Existe uma clássica visão de uma multidão enchendo as ruas com um pequeno veículo, sobre ele há uma caixa de vidro que abriga o sumo sacerdote da igreja católica, mas nem sempre foi assim.

Antes do primeiro papamóvel

Normalmente, o Papa é uma pessoa mais velha, então ele não conseguiria percorrer grandes distâncias. Por conta disso, antes dos carros, ele era transportado pela sede gestatória.

Tal estrutura consistia em um trono que era erguido e carregado por várias pessoas. Tal tradição existe desde o período bizantino e foi utilizado até 1978, prática aposentada pelo papa João Paulo I.

Os primeiros papamóveis

Em 1930, o papa Pio XI foi presenteado com um Mercedes-Benz Nürburg 460 pullman saloon. Com um motor de oito cilindros em linha de 80 cv, o primeiro papamóvel serviu ao Sumo Pontífice até o fim de sua vida, em 1939.

O carro transportou o mais alto cargo do clérigo até os anos 60, quando foi substituído por um Landaulet 300D conversível . Tal veículo foi desenvolvido especialmente para o papa João XXIII, que gostaria de ficar mais próximo do povo.

Um fato curioso é que todos os veículos utilizados como carro oficial do líder clérigo da igreja católica possuem a placa SCV 1. A inscrição significa Stato dela Città del Vaticano (Estado da Cidade do Vaticano), mais o número referente ao lugar do Papa na instituição.

o primeiro papamóvel

Os carros brancos e as medidas de segurança

Até os anos 80, todos os papamóveis eram da cor preta, fato que mudou com a chegada do papa João Paulo II. O veículo que ele utilizava era o Fiat Campagnola conversível de 72 hp e 2445cc.

Toda dinâmica de segurança com o Papa e seu veículo foi transformada depois de 13 de maio de 1981. Enquanto o pontífice João Paulo II fazia o seu deslocamento na Praça de São Pedro para discursar, sofreu um ataque a tiros e ficou gravemente ferido.

Um ano depois, em 1982, o Range Rover 230G Popemobile foi utilizado para o transporte e proteção do Sumo Sacerdote. O veículo, exclusivamente desenvolvido para o papa João Paulo II, foi o primeiro a adorar a cúpula blindada.

As viagens e os carros

Uma de suas principais funções, se não a principal, é disseminar o cristianismo pelo mundo inteiro e para isso é necessário viajar. Às vezes o Papa leva seu papamóvel para as viagens, outras vezes ele utiliza um carro exclusivo para a ocasião, como foi o caso da Escócia, em 1982.

O país europeu recebeu o papa João Paulo II para discutir sobre a disputa entre a Argentina e o Reino Unidos pelas Ilhas Malvinas. Durante sua estadia no local, que durou entre os dias 28 de maio até 2 de junho, ele se locomoveu em um caminhão Leyland, que possuía um motor de seis cilindros e com 154 cv.

papamóvel layland

Ainda em 1982, durante sua primeira visita à Espanha, João Paulo II utilizou um SEAT Panda, um dos menores utilizado até hoje. O carro possuía um motor de quatro cilindros em linha, com 903 cc e chegava a 130 km/h.

João Paulo não utilizou apenas veículos simples ao longo de seu papado. Durante a visita em uma fábrica da Ferrari, em 1988, o pontífice optou por uma Mondial vermelha. O automóvel possuía um motor V8 de cinco velocidades transversal e foi o que mais despontou durante o papado.

Diferente de seus antecessores, o papa Francisco I é conhecido como um governante humilde, que dispensa a maioria dos luxos, e com o papamóvel não é diferente. Em 2013, após de assumir o cargo, o pontífice visitou o Brasil para Jornada Mundial da Juventude, Francisco circulou pelas ruas do Rio de Janeiro em um Fiat Idea sem nenhum adereço especial.

Em 2014, o líder utilizou um Hyundai Santa Fé adaptado, para circular nas ruas do vaticano. No mesmo ano, durante uma viagem as Filipinas, Francisco utilizou um clássico Jeepney. O veiculo é conhecido por conta das suas cores extravagantes, mas o Papa optou pelo clássico branco com o símbolo do vaticano na lateral.

Seguindo a linha franciscana de simplicidade, o líder católico percorreu a cidade de Washington em um Fiat 500L. Um automóvel popular da montadora italiana. Durante sua visita em Madagascar em 2019, Francisco utilizou um Karenjy Mazana II. O carro é originário da própria ilha africana.

Atualmente, o Sumo Sacerdote abriu mão das limusines utilizadas pelos seus predecessores e se locomove diariamente a bordo de um Ford Focus azul, bem mais modesto que os antigos automóveis.

papamóvel clássico

Destino dos carros

Todos os papamóveis são veículos históricos. Os que foram utilizado no Vaticano ficam em uma garagem especial ou vão para um museu quando são aposentados. Os que foram utilizados em outros países também recebem um tratamento especial.

O Leyland utilizado por João Paulo II foi leiloado em 2006, por US$ 70 mil. Atualmente, ele está em uma exposição na British Commercial Vehicle Museum, em Leyland, Inglaterra. A Ferrari Mondial foi vendida por US$ 6 milhões em 2005 e seus lucros foram doados para as vítimas do tsunami da Indonésia, que aconteceu no ano anterior.

Em 2017, o Papa Francisco foi presenteado por uma Lamborghini Huracán branca com detalhes amarelos. Por ser franciscano, o Sumo Sacerdote assinou o veículo e o colocou para leilão, o automóvel foi vendido no ano seguinte por € 715 mil, o valor foi doado para um projeto social que constrói casas no Iraque.

A Lamborghini não foi o primeiro automóvel a ser doado, benzido e leiloado. Em 2013, Francisco ganhou uma Harley-Davidson Dyna Syper Glide, durante o 110˚ aniversário da montadora. A motocicleta foi leiloada por € 241 mil, além da moto o pontífice ganhou uma jaqueta de couro, também leiloada. O dinheiro foi repassado para uma ONG que oferece abrigo e refeição para pessoas necessitadas.

O Idea utilizado por Francisco em 2013,no Brasil, foi recolhido e está no acervo da montadora, ao lado de outros veículos históricos. Ele será exposto em um futuro Museu do Automóvel no Brasil, segundo a italiana Fiat.

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