A mobilidade urbana está diretamente relacionada ao processo de urbanização das grandes cidades, que cresceu de modo acelerado com a chegada de importantes indústrias, sobretudo na região sudeste em 1930. 

Nessa medida, a migração de pessoas do campo para cidade aumentou substancialmente. Esse fator, porém, não foi acompanhado por ofertas de emprego em nível proporcional, gerando competitividade em áreas do espaço público urbano.

Após alguns anos, as cidades ainda precisam lidar com as consequências deixadas por más gestões governamentais que não priorizam a melhora da organização no setor. Diante disso, os problemas de mobilidade surfam na mesma onda desde então.

Na principal metrópole brasileira, São Paulo, o cenário não foi diferente. Ainda que os Planos Diretores sejam sempre considerados avançados por especialistas, eles afirmam que nem todas as medidas de melhoria são de fato aplicadas.

A empresa de consultoria e Dados Kantar realizou um estudo, chamado Mobility Future, para tentar prever quais cidades que sofrerão mudanças significativas em termos de mobilidade urbana na próxima década. A pesquisa apontou que São Paulo é a única no Brasil que provavelmente irá avançar no quesito. 

Além disso, o estudo indica que 2030 será o ponto de virada global da mobilidade sustentável nas maiores cidades do planeta e, em um balanço geral, as viagens de carro particular diminuirão em 10%. 

As transformações no setor automotivo não param por aí. Desde 2010, a economia compartilhada (modelo que permite fazer e lucrar mais com menos) vem ganhando espaço entre a população, por exemplo os aplicativos de transporte. Por meio deles, o proprietário de um carro dá caronas para passageiros e ganha certa quantia de dinheiro.

Em decorrência desse modelo, a multimobilidade irá se destacar ainda mais em 2030 devido ao crescente envelhecimento da população global. Cada vez menos as pessoas terão carros particulares, sejam elétricos ou autônomos. 

De acordo com a CET, São Paulo já provou que não tem estrutura nem espaço suficiente nas vias para comportar mais de 8,6 milhões. 

No entanto, o declínio da frota de carros particulares será compensado pelo aumento do uso de transporte público, ciclismo e caminhada. Essa mudança é reflexo, também, das transformações sociais e culturais da população, que tem prezado por maneiras mais ecológicas de viajar. 

Segundo a pesquisa “Viver em São Paulo: Especial Pandemia”, em função da Covid-19, a tendência é que os paulistanos de classes A, B e C optem por se deslocar mais a pé ou de bicicleta. Motivo: devido ao confinamento, as pessoas sentem ainda mais falta de trafegar pelo espaço urbano e desfrutar do que ele tem a oferecer.

Assim, até meados da próxima década, os meios de transporte mais ecológicos representarão 49% de todas as viagens realizadas, contra 46% para carros, que atualmente representam 51% dessa contagem. 

Isso se reflete em outros dados referentes à capital paulista, como a prevista queda de 28% no uso de carros pelos próximos 10 anos, enquanto o ciclismo crescerá a cada ano. 

São Paulo é uma das cidades mais congestionadas da América do Sul por problemas de mobilidade urbana, o que dificulta a locomoção eficiente pela cidade. Em contrapartida, ainda que mais pessoas utilizem o transporte público, esse sistema também está superlotado, atrasado e com menos conexões do que o necessário. 

Dessa forma, fica fácil prever os motivos pelos quais a população vai aderir às caminhadas e ao ciclismo, não é? 

Entretanto, nenhuma dessas mudanças acontecerão se não houver planejamento voltado a avanços na infraestrutura, entre elas: extensão das faixas de ônibus, ciclofaixas, além de melhorias das calçadas para pedestres e no transporte público, como trens e metrôs, que tendem a aumentar 15% entre hoje e 2030.

Para a diretora de contas da Kantar no setor automotivo, Luciana Pepe, é fundamental que as cidades invistam em tecnologia para mobilidade urbana de forma mais efetiva, e que essa transição para soluções de transporte mais inteligentes e sustentáveis seja mais simples e concreta.

Se depender da população, essas transformações de fato irão ocorrer.

“A pesquisa da Kantar descobriu que 40% das pessoas em todo o mundo estão abertas a adotar soluções mais inovadoras de mobilidade, mas nem todas as cidades estão prontas para essa transformação”, afirmou Luciana Pepe, durante apresentação dos resultados da pesquisa. 

No ranking obtido pelo estudo, São Paulo ocupa a terceira posição das cidades que tendem a melhorar a mobilidade urbana até 2030. Porém, não é de se espantar que a mesma São Paulo apareça um último lugar na lista das mais preparadas tecnologicamente para tais transformações.

Dessa forma, o futuro da mobilidade paulistana ainda é incerto, mas caso as gestões governamentais sigam à risca os Planos Diretores, implementando inovações tecnológicas e sustentáveis, é provável que em 2030 chamemos não mais um Uber, e, sim, uma bike. 

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