Erros, acobertamentos e vista grossa: momentos que os fabricantes colocaram vidas em risco

Como em toda indústria, a automotiva também teve seus momentos delicados. Algumas montadoras já passaram por recalls que visavam corrigir problemas e assegurar o bem estar de seus consumidores.

Em certos momentos, porém, houve omissão e até mesmo mentira para não abalar suas imagens e prejudicar as vendas. 

Confira alguns desses escândalos.

Chevrolet Corvair e sua roda 

O Chevrolet Corvair foi lançado em 1960 para brigar com modelos pequenos e populares, como o Fusca. Ele tinha um motor de seis cilindros em linha na parte traseira, e contava com refrigeração a ar. Na época, estava disponível nas versões sedã, cupê, perua e van.

Em 1995, Ralph Nader lançou o livro “Inseguro a Qualquer Velocidade”, que, como o próprio nome sugere, relatava situações envolvendo falta de segurança em carros. Em seu primeiro capítulo estava o Corvair. 

Segundo Nader, o modelo vendido entre 1960 e 1964 tinha uma suspensão de braço oscilante que fazia as rodas baterem na carroceria e causarem uma derrapagem traseira durante uma curva.

Pela ausência da barra antirrolamento na parte da frente, o veículo se tornava ainda mais perigoso.

A Chevrolet não recebeu bem as críticas do escritor, tendo inclusive grampeado seu telefone. Ralph Nader processou a montadora por invasão de privacidade, e ganhou a causa em 1970. 

Daimler pagando propina

A Comissão de Títulos e Câmbios dos Estados Unidos acusou a montadora alemã de subornar funcionários públicos de 22 países onde a empresa possuía negócios, entre 1998 e 2008. 

A Daimler não quis comentar a denúncia na época (vinda à tona em 2010), mas pagou uma multa de 185 milhões de dólares para encerrar o caso.

Empresa alemã Daimler

O tanque de combustível do Ford Pinto

O Ford Pinto foi lançado em 1971, nas versões hatchback e perua, para disputar com os veículos compactos e econômicos.

Pouco depois, já surgiam relatos de que o carro pegava fogo ao sofrer uma colisão na parte de trás, devido ao fato de o tanque de combustível ficar entre o eixo e o para-choque traseiro.

Havia, assim, uma falta de espaço que aumentava ainda mais as chances de perfuração do tanque.

Em 1977, a revista estadunidense “Mother Jones”, conhecida por reportagens investigativas,  publicou uma matéria sobre tais problemas.  A situação da Ford tornou-se ainda pior, pois a revista teve acesso a um memorando de dentro da empresa.

Esse documento mostrava que a montadora sabia da falha desde a pré-produção, mas optaram por seguir daquela forma para economizar. 

Ainda segundo o memorando, seria mais caro colocar um tanque seguro do que pagar indenizações por acidentes. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos EUA (NHTSA) mandou a Ford fazer o recall de 1,4 milhões de unidades.

O escândalo terminou em processo criminal contra a montadora por homicídio doloso após três mulheres terem morrido queimadas dentro do veículo. A Ford, no entanto, foi absolvida pelo júri.

Os airbags da Takata

O maior e mais custoso recall da história foi protagonizado pela Takata, marca que produzia airbags, cintos de segurança, entre outros acessórios, a diversas montadoras, como Toyota, Honda, BMW e Audi.

Ao longo de quase 10 anos, a fabricante equipou mais de 30 milhões de carros com os airbags defeituosos. Quando acionados, eles respondiam no momento errado, e faziam chover pedaços de plástico e metal no rosto dos ocupantes.

A NHTSA contabilizou 15 mortes e pelo menos 250 pessoas feridas nos EUA por esse problema.

Airbags defeituosos da Takata

Ford Explorer e os pneus Firestone

No ano 2000, após reclamações de que os pneus Firestone que equipavam algumas versões do Ford Explorer estavam soltando camadas de borracha, a NHTSA resolveu investigar mais a fundo. 

Resultado: os relatos procediam, e a Firestone teve de fazer um recall de 14,4 milhões dos pneus que compunham não só o Ford Explorer, mas também de vários outros carros. 

Estima-se que a falha tenha causado 271 mortes e ferido mais de 800 pessoas.

Pneus Firestone

O Toyota que acelerava sozinho

Em 2009, a Toyota teve seu escândalo quando clientes disseram que alguns modelos da fabricante estavam acelerando sozinhos. Em um primeiro momento, a montadora achou que eram os tapetes que se moviam e pressionavam o acelerador.

Assim, a Toyota precisou fazer um recall de 5,5 milhões de veículos para trocar os tapetes. Entretanto, pouco depois, descobriu-se que os culpados pela aceleração involuntária não eram os tapetes. 

Com isso, foi necessário um novo recall de outros milhões de carros. 

A fabricante precisou pagar 1,2 bilhões de dólares ao Departamento de Justiça norte-americano, admitindo também ter enganado os consumidores ao dar declarações falsas. 

A ignição da GM que desligava

No início de 2014, a GM fez um recall para trocar a ignição de vários modelos que desligavam ao chacoalhar. 

Quando isso acontecia, muitos sistemas importantes eram desativados, como airbags, direção assistida e os freios ABS. A falha afetou milhões de veículos e causou 154 mortes.

A empresa teve de pagar 900 milhões de dólares para o Departamento de Justiça; 35 milhões em multas para a NHTSA; 1 milhão para a Comissão de Títulos e Câmbio; além de 594 milhões para as vítimas, valor destinado a um fundo de compensação.

A fraude das emissões de gases da Volkswagen

O esquema de fraude nos testes de emissões dos motores a diesel da Volkswagen danificou todo um segmento. O caso fez despencar a popularidade dos carros a diesel nos EUA e na Europa, forçando os governos a examinarem esses modelos com muito mais cuidado.

O escândalo foi descoberto quando pesquisadores norte-americanos alertaram sobre diferenças entre as taxas de emissões de tais modelos da montadora alemã no dia-a-dia, comparando a testes de laboratório. 

Eles enviaram a descoberta para o California Air Resources Board, que descobriu que os carros eram equipados com um sistema que reduzia as emissões durante os testes, retirando o dispositivo quando finalizada a fabricação.

Resultado: o CEO do Grupo Volkswagen, Martin Winterkorn, deixou o cargo. Além disso, a empresa arcou com uma despesa de 30 bilhões de dólares em multas nos EUA. 

O governo alemão segue investigando o caso e, recentemente, prendeu Rupert Stadler, CEO da Audi, por acreditar que ele estava eliminando provas.

Teste de emissão de gases
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