Em 2016, fizemos uma série de entrevistas com Bruno Perini, coaching financeiro e criador do Você Mais Rico, site especializado em dar dicas para quem deseja cuidar bem de seu dinheiro. Como os tempos andam um tanto quanto confusos na economia, resolvemos ir até ele outra vez para buscar alguns conselhos.

Falamos sobre as melhores opções para poupar dinheiro, as possibilidades para empreender e os desafios de inovar em tempos de crise. Confira:

1.  O ano de 2016 foi turbulento, em diversos setores da economia. O que esperar para 2017?

2016 foi um ano e tanto, sem contar o front externo que já nos trouxe várias surpresas, tivemos no ambiente interno um impeachment da presidente Dilma, altos níveis de desemprego e um novo governo preparado às pressas para tentar tirar o Brasil dá pior recessão dos últimos 100 anos. Com tudo isso tendo acontecido no ano passado, acredito que 2017 já teria grande chance de ser um ano melhor.

Embora fazer previsões seja algo complicado, acredito que este ano seja de reconstrução para o país. Temos um ciclo de queda dos juros que barateia o crédito, inflação sob controle, o desemprego parece ter chegado ao fundo do poço e recuperamos credibilidade no cenário externo, o que deve atrair mais investimentos para o país.

Por tudo isso, acredito que esse ano será melhor do que o consenso prevê.

2. Fala-se muito sobre a necessidade de inovar em tempos de crise, de saber superar por meio de novas estratégias. O que significam novas estratégias para você?

Toda crise traz consigo várias oportunidades e não é preciso ir muito longe para encontrar empresários que cresceram mais na crise do que antes dela.

Cada negócio tem particularidades e generalizar sempre é complicado, mas diria que o correto manejo das redes sociais foi uma das habilidade que levou vários projetos que acompanhei ao sucesso em 2016 e outros, pela falta do uso eficiente das mesmas, ao fracasso.

Estamos na era da informação, numa época em que um digital influencer que faça uma boa propaganda do seu produto pode te gerar milhares de vendas. Procurar aproximação e parcerias com esse pessoal, dentro dos seus nichos de influência, é uma estratégia interessante e barata, sobretudo quando comparamos com o marketing tradicional.

Quem é autônomo precisa ter ainda mais noção da importância de estar digitalmente presente. Muitas pessoas hoje definem em que médico ou nutricionista irão não pela faculdade em que os mesmo se formaram, mas sim pela quantidade de seguidores que eles têm em redes sociais. De uma maneira geral o público pensa “Se ele tem mais seguidores, deve ser melhor”.

3. São tempos para empreender?

Sou suspeito para falar, porque acredito que sempre é tempo de empreender. Como já disse antes, toda crise traz consigo oportunidades. Aliando isso ao começo da recuperação econômica do país, acho que, de maneira geral, estamos num ótimo ano para quem pretende empreender.

4. Qual conselho você daria para alguém que deseja começar um novo negócio?

Daria dois conselhos:

1º – Comece com uma estrutura enxuta. Em tempos de crise a primeira medida tomada por empresas eficientes é cortar gastos desnecessários, quem quer começar deve ter a mesma cabeça. Muitas vezes menos é mais!

2º – Use muita criatividade. A Uber se tornou a maior empresa de transporte do mundo sem ter um carro próprio, o AirBnb se tornou a maior empresa de hotelaria do mundo sem possuir uma propriedade. Empreendedores criativos ganham mais dinheiro. Se você não é criativo, trabalhe com alguém que seja.

5. Para quem deseja poupar dinheiro neste ano, o Tesouro Direto continua sendo uma boa opção?

Sim. Não vamos mais ter juros tão altos quanto em 2016, mas o Tesouro Direto continua sendo o investimento que todo brasileiro deveria fazer. Com boa rentabilidade, segurança e liquidez, é difícil achar na renda fixa uma opção melhor que os títulos do tesouro.

Só vale lembrar que existem vários tipo de títulos com prazos e indexadores diferentes. É interessante pesquisar as peculiaridades de cada um e escolher o mais adequado aos seus objetivos.

6. E fazer outros investimentos, como casa, carro?

Se o carro não for usado como meio para ganhar dinheiro (Uber, por exemplo), não vejo como investimento, mas como gasto. Caso seja realmente necessário, pesquise entre as concessionárias e procure sempre o melhor custo benefício.

Sobre imóveis, a compra de um imóvel é uma das decisões financeiras mais importantes da vida da maioria dos brasileiros. É preciso pesquisar bem para não transformar um sonho em pesadelo.

Lembra daquela história de que toda crise traz consigo uma oportunidade? A crise foi terrível para o mercado imobiliário, ao longo do ano passado vimos muita gente devolvendo imóveis por não ter condições de pagar e algumas construtoras falindo ou pedindo recuperação judicial devido às vendas fracas e estoques crescentes. E é aí que entra a oportunidade para quem fez a lição de casa e tem dinheiro para barganhar. Pesquisando bem é possível achar muita gente desesperada para vender um imóvel, mesmo que para isso tenha que dar grandes descontos.

A melhor estratégia em qualquer compra sempre será comprar barato.

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