O descarte impróprio de sucatas de veículos em ferros-velhos são uma ameaça ao meio ambiente, fazendo da reciclagem de autopeças uma interessante alternativa.

Não é raro encontrar carros velhos abandonados nas ruas, ou até mesmo em grandes terrenos de descarte de sucata quando circulamos pelas cidades. 

O artigo 126 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) determina que “O  proprietário de veículo irrecuperável, ou destinado à desmontagem, deverá requerer a baixa do registro, no prazo e forma estabelecidos pelo Contran […]”. Entretanto, na prática, não é bem assim que funciona.

O problema envolvendo as sucatas abandonadas é preocupante. Exposto às ações climáticas, elas tornam-se potenciais criadouros de insetos, como o aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e dos vírus Zika e Chikungunya.

 A deterioração desse material descartado incorretamente resulta em um produto que pode contaminar o solo e a água de rios e mananciais próximos. Porém, já existem algumas formas de impedir tal ação, e, melhor ainda, reciclar os componentes. 

De acordo com o Relatório da Frota Circulante, estima-se que 45,9 milhões de veículos tenham circulado no Brasil em 2020. Agora, considerando que boa parte será usada somente por no máximo 7 anos, onde eles serão descartados ao fim de sua vida útil?

Diante disso, há que se pensar em alternativas para diminuir a quantidade de resíduos tóxicos provenientes de veículos abandonados em ferros-velhos e aterros sanitários.

Portanto, nesse cenário, a reciclagem – bem como o reuso de peças automotivas – são vistas como as melhores soluções para tornar o ciclo de vida do veículo mais sustentável. 

Reciclagem de autopeças como alternativa sustentável

Na Europa, essa prática não é mais novidade. Aproximadamente 85% dos automóveis que circulam entre os países do continente têm como destino a reciclagem ou reuso das peças. Já no Brasil, estima-se que 98,5% da frota termina em depósitos e desmanches ao fim de sua vida útil.

A composição de um veículo, dependendo do seu tamanho, corresponde a uma média de 18% de plástico, 7% de borracha, 55% de metais e 20% de outros materiais. Dessa forma, grande parte dos elementos podem ser reciclados, enquanto os que não passam pela reciclagem podem ser reutilizados em novos modelos fabricados, se estiverem em boas condições.

Desde 2014, está em vigor a lei do desmanche (Lei 12.977 – 2014), com o objetivo de combater o desmanche ilegal, o comércio de peças usadas sem origem comprovada, além de regular o processo de desmontagem e o de reciclagem de metais. 

Essa é uma medida fundamental para contribuir com o ciclo de vida sustentável dos veículos, tendo em vista que roubo, desmanche e comercialização de peças ilegais são fatores que dificultam a realização desse ciclo por parte da indústria automotiva. 

No entanto, a falta de um programa de reciclagem de veículos, assim como leis rígidas para combater o descarte inadequado e que permitam mais agilidade na reciclagem de veículos já fora de uso, deixa o Brasil para trás nesse quesito. 

Carros em depósito

Por isso, seriam necessárias atitudes do Poder Público para estimular a população a doar seus veículos velhos para a reciclagem, com algum tipo de incentivo, bem como parcerias com empresas do setor. 

A adoção dessas medidas beneficiaria o meio ambiente e a população, já que isso diminuiria o número de carros abandonados nas ruas e, consequentemente, faria aumentar o número de vagas de estacionamento. Isso sem contar o depósito de sucatas acumuladoras de resíduos, as tais “casas” dos insetos transmissores de doenças. 

Por fim, outro setor que se beneficiaria de tais práticas é a própria indústria automobilística. Afinal, o uso de peças recicladas e reutilizadas tem um custo muito menor, até mesmo por não precisar explorar matéria-prima nos atuais níveis, um dos fatores que encarecem a produção de novos modelos.

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