Estudo mostra que seminovos tiveram alta média de 1,54% no seu valor em 2020

A crise econômica que assola o Brasil, sobretudo a partir do início da pandemia de Covid-19, abriu margem para um fenômeno curioso: a supervalorização de carros usados.

Um dos motivos, a princípio, é a alta dos preços dos veículos novos, impulsionada pela falta de componentes, como peças em geral e semicondutores. Como pudemos presenciar, algumas montadoras até pararam a produção por causa desse agravamento. E isso, em síntese, provoca um certo desequilíbrio entre a oferta e a demanda. 

Também vale ressaltar que, com filas de espera de meses por um carro novo em função da demora na produção, os consumidores têm migrado para o mercado de segunda mão, cuja demanda aumentou sem que a oferta acompanhasse o mesmo ritmo.

Estudo realizado pela Kelley Blue Book (KBB) – multinacional do setor de avaliação de veículos – constatou que carros seminovos passaram a ser vendidos por preços acima dos modelos equivalentes 0 km.

Segundo dados coletados em março, a Fiat Strada 2021 seminova pode ser comercializada, em média, até 3,37% mais cara, se comparada a uma totalmente nova.

A pesquisa da KBB engloba os dez veículos mais vendidos do mercado brasileiro de acordo com o ranking da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Assim, tomando como base os valores referentes ao estado de São Paulo, observa-se que metade da lista abaixo apresenta tendência de inversão na valorização dos seminovos. 

Importante destacar que, apesar de tais porcentagens, a comparação não leva em conta a inflação do período. Via de regra, a inflação acumulada acaba superando os eventuais ganhos provocados pelo aumento do preço absoluto. 

No entanto, essa alta não refletiu no valor dos carros usados. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) apontam que as vendas aumentaram 9,1% em outubro de 2020. Esses números podem indicar um aumento orgânico dos preços causado pela alta procura de ofertas no mercado.

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