Embora o emplacamento desses veículos tenha crescido no País, ainda é preciso uma série de mudanças para sua completa implementação.

Cotados como umas principais opções de mobilidade sustentável, os carros elétricos tentam marcar território no Brasil. De janeiro a abril de 2021, as vendas desses modelos aumentaram quase 30% em relação ao mesmo período em 2020. 

Apesar de dados aparentemente otimistas, a realidade aponta para um crescimento tímido dos elétricos devido aos inúmeros desafios econômicos, sociais e de mobilidade que o País enfrenta até mesmo em se tratando de carros a combustão. 

A premissa dos automóveis elétricos é ser um modal sustentável, sem a emissão de gases poluentes na atmosfera. No entanto, a produção de sua bateria de íon-lítio, além de cara, pode ir na contramão dessa proposta. No Brasil, é possível apontar o principal desafio como sendo de ordem financeira. Apesar da maior procura, os carros elétricos representam apenas 1% do total das vendas de veículos.

Algumas das grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, contam com certa infraestrutura e oferta de pontos de carregamento, mas, essencialmente, em locais privados. Em contrapartida, capitais como Londres e Roma, apostam em diversos carregadores rápidos nas ruas, sendo este um dos fatores que atraem os possíveis compradores.

Vale frisar, ainda, os preços exorbitantes dos modelos elétricos. Pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta que, até 2035, os carros elétricos e híbridos podem representar a maioria da frota no País. No entanto, a opção mais barata nesse quesito é o JAC iEV20, no valor de R$129.900,00. 

Haja vista o cenário pandêmico, o brasileiro precisaria economizar em média 20 anos para comprar um carro convencional, também levando em conta a queda abrupta na renda per capita da população.

O Brasil ocupa a quinta posição no ranking de países mais caros para ser um carro 0km, o que, por tabela, aumentou o preço dos usados. Atualmente, as vendas de carros usados cresceram 40,7% no acumulado do ano. Por essas e outras, os elétricos tornam-se acessíveis apenas às classes economicamente ricas.

Portanto, são necessários elevados estímulos governamentais no setor. Por exemplo, um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul prevê zerar a alíquota de importação desses produtos em até oito anos. 

Por fim, embora o carro elétrico exija menos despesas no dia a dia e seja menos propenso a gerar problemas mecânicos, de nada adianta se o primeiro passo – o de adquirir um – ainda segue distante da realidade do brasileiro.

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