Em alta no mercado brasileiro, SUVs lideram emplacamentos de veículos em território nacional e conquistam público cada vez mais variado; alto custo de manutenção ainda é entrave no segmento.

Sport Utility Vehicle. Ou, em português, Veículo Utilitário Esportivo. Esse é o nome técnico dado aos carros do segmento chamado SUV. Há pouco menos de trinta anos, os automóveis dessa categoria eram voltados a serviços pesados, como carregar cargas, trailers e derivados. Eram carros usualmente mais altos, com construção estrutural mais robusta, sendo conhecidos na engenharia por apresentarem chassis de longarina.

Mês a mês, os veículos desse segmento vêm conquistando a preferência do público no Brasil. Antes procurado apenas pelas classes mais abastadas, eles têm despertado interesse de indivíduos com menor poder aquisitivo em diversas regiões recentemente.

No Ceará, por exemplo, os SUVs ocupavam quatro dos 15 modelos mais vendidos dentre todos os automóveis no ano passado, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Também segundo a organização, essa estatística saltou para seis unidades em cada 15 comercializadas em 2021.

No Paraná, os carros da categoria foram os mais procurados no final do último ano, com destaque para o Jeep Renegade, o campeão de vendas em novembro.

Em escala nacional, os SUVs já lideram o ranking de emplacamento de veículos, com 38,42% de participação, após ultrapassarem os modelos hatch.

Consumidores

Várias são as razões que justificam o aumento de interesse do público pelo segmento. Consumidor de SUVs há algum tempo, Reinaldo Macevicius já teve um Mitsubixi ASX e uma Honda CR-V, e afirma que os automóveis dessa categoria unem qualidades de outras:

“A SUV apresenta o conforto comum ao sedã de luxo e a robustez de uma caminhonete. É um carro mais alto, o que proporciona mais conforto e melhor dirigibilidade. É mais fácil de manobrá-lo para entrar nas vagas, porque ele te permite ter mais visão. O espaço interno acomoda confortavelmente, pelo menos, cinco pessoas. O porta-malas, em geral, é grande. Os pneus ficam em um nível mais elevado em relação ao chão, o que te possibilita passar por alguns obstáculos.”

Para ele, a segurança é um atributo que torna esses modelos ainda mais atrativos:

“Por ele ser um carro maior, se você se envolver em um acidente, você encontra uma estrutura muito mais reforçada. Se tiver um impacto, você estará mais protegido”, destaca.

Engenharia

Se, anteriormente, os veículos do segmento tinham como uma de suas principais características o transporte de cargas, hoje eles estão cada vez mais urbanos, adaptando-se às preferências do público das grandes cidades. Elementos antes presentes nos modelos de SUV mais tradicionais vêm sofrendo alterações, como explica Julio Silva, engenheiro automobilístico.

“Há quem diga que os SUVs utilizados para carga sejam os considerados ‘raiz’, e os urbanos os SUVs ‘de shopping’. A indústria tem tentado colocar nesses SUVs mais urbanos uma aparência de robustez daqueles antigos SUVs mais ‘raiz’, para que as pessoas tenham a sensação de estarem dirigindo um veículo indestrutível. Em questão de plataforma veicular, essas SUVs mais urbanas têm plataformas convencionais, embora, por fora, o carro possa ter uma aparência que lembra uma SUV mais robusta.”

Julio Silva, engenheiro automobilístico.

Sobre a crescente preferência no Brasil, Silva considera que os consumidores do país são influenciados pelo aspecto emotivo quando pensam em adquirir um SUV.

“O que vende no Brasil é o design. O povo brasileiro é passional, muito mais do que racional. Se você pega um povo europeu ou oriental, eles escolhem o carro baseados na racionalidade, unicamente de acordo com a economia de combustível, com o preço e com a robustez. O brasileiro e o latino, de forma geral, compram baseados em um aspecto passional, no estilo, na novidade”, sustenta o engenheiro.

Mas nem tudo são flores. Se a robustez, o aspecto imponente e a segurança pesam a favor das SUVs para a conquista do público, existem aspectos que desencorajam a compra. Entre eles estão o grande consumo de combustível, a dificuldade em achar determinados componentes (pelo fato de alguns virem do exterior), a relativa instabilidade nas curvas em alta velocidade, além da elevada despesa com manutenção, seguro e IPVA em comparação com modelos de sedã e hatches.

SUVs na oficina e no balcão

Medindo prós e contras em relação à compra desse modelo, boa parte dos consumidores recorrem a mecânicos para perguntar a respeito de detalhes técnicos. Danilo Feltrin é reparador de veículos e já trabalhou com SUVs. Ele conta que alguns clientes já o indagaram sobre questões relacionadas a carros do segmento, e ressalta as diferenças entre essa e outras categorias em relação à manutenção.

“Eu já recebi muitas perguntas. A suspensão das SUVs é mais trabalhada. Esse tipo de carro tem rodas mais largas. Alguns têm direção elétrica, que é tendência. Nas SUVs, você tem um motor não tão grande para empurrar um peso maior; então, não tem jeito, o consumo de combustível é alto. Com um carro menor, você tem um peso menor, e aí tem uma sensação maior de potência. O SUV peca nisso”, opina.

O mecânico Danilo Feltrin.

O fato de o preço dos componentes das SUVs ser maior do que o de peças de outros modelos também é observado pelo balconista Vitor Pereira, de 22 anos. Os itens do segmento com maior procura na loja onde ele trabalha, em Miracatu (SP), são relacionados à manutenção.

“As peças mais procuradas são as cruzetas de cardan e filtros para veículos a diesel. Pastilhas também, por exemplo. Isso acontece porque, aqui na minha região, esses veículos rodam bastante; então, a manutenção está em primeiro lugar. O principal tipo de cliente que procura essas peças são os que trabalham no ramo do agronegócio. Além deles, também quem tem sítio, fazenda, chácara etc.”

Esta reportagem também encontra-se disponível na Revista Balconista S/A – Edição 31. Leia o material completo!

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