Já falamos aqui dos cilindros lutadores do Boxer, dos pequenos e potentes Small-Block e dos gigantescos HEMI. Agora, é a hora de um motor com uma engenharia um pouco diferente. Para começar, ele é conhecido pela alta eficiência volumétrica, ou seja, pela relação entre o volume da mistura ar-combustível que cada cilindro admite. Fora isso, seu ronco é único e estrondoso. Ainda não sabe? A última dica: ele dispensa os pistões e usa rotores em formato triangular, parecido com esfihas. Nesta edição, trazemos para você um pouco sobre o Rotativo Wankel.

História

Foi em 1924 quando o alemão Felix Heinrich Wankel desenvolveu o protótipo de motor que levaria o seu nome. Mas, curiosamente, Felix nunca fez faculdade de engenharia. Foi na cidade de Heidelberg que Wankel e seus amigos abriram uma mecânica oficial para carros DKW e motos Cleveland, famosas nos anos 20. Foi lá que o engenheiro por vocação ganhou intimidade com os segredos automotivos. Foi lá também que Felix trabalhou até 1933, quando foi preso.

O inventor participava ativamente de grupos políticos contra os judeus. Dois anos antes de criar o motor, Felix aderiu ao Partido Nazista, e lá fez forte oposição ao grupo comandado por Adolf Hitler. Quando Hitler chegou ao poder do partido, mandou prender todos seus opositores, mesmo se fossem nazistas. Um ano após ser preso, foi libertado e decidiu apoiar o ditador. Nessa época Wankel entrou para a Schutzstaffel, ou SS, temida polícia nazista. Durante os anos da Segunda Guerra Mundial, ele desenvolveu válvulas rotativas para a Luftwaffe, força aérea alemã, e torpedos para a Kriegsmarine, a marinha alemã. Ainda assim, ele não deixou de lado seus projetos pessoais e aproveitou os momentos de prosperidade do país para investir em melhorias no seu motor.

Funcionamento

O Motor Wankel é, basicamente, um motor rotativo de combustão interna. Em vez dos pistões dos motores convencionais, ele usa rotores com formato semelhante ao de um triângulo. O Wankel também dispensa cilindros, válvulas, bielas, bloco e cabeçote. No lugar dos cilindros, ele tem uma câmara onde o rotor se move de forma circular, fazendo o trabalho dos pistões. Esse rotor é fixado em um eixo excêntrico, fazendo a função análoga à do virabrequim. Como não tem válvulas, a admissão é feita por janelas, que são abertas ou fechadas pelo movimento do rotor.

O ar-combustível é admitido pela janela de admissão e depois é comprimido por um dos três lados do pistão. Em seguida ocorre a combustão da mistura, que empurra o rotor de acordo com o curso do eixo excêntrico e em direção à janela de escape, por onde os gases resultantes serão eliminados. Assim, quando o lado 1 estiver comprimindo, o lado 2 estará expelindo os gases e o lado 3 estará admitindo novamente. Quando o lado 1 estiver expelindo os gases, o lado 2 estará admitindo a mistura e o lado 3 estará comprimindo e assim sucessivamente.

Mazda

A montadora japonesa teve uma história com os motores Wankel. Essa relação começou em 1967, quando equipou o Mazda Cosmo Sports 110S com um rotativo. Em 2009, a marca era a única no mundo que ainda usava motores Wankel em seus carros. Somente em 2012, no dia 22 de junho, a Mazda fabricou seu último motor Wankel, e o motor parou de ser fabricado.

Confira um vídeo com o funcionamento detalhado dessa máquina:

 

 

 

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