No dia 23 de novembro de 1968, há quase 50 anos, era apresentado aquele que seria um dos maiores ícones da indústria automobilística brasileira. Já faziam alguns anos que a General Motors do Brasil queria lançar um automóvel genuinamente brasileiro, que atendesse os gostos do consumidor local. Assim, a montadora trabalhou por muito tempo no Projeto 676, um modelo que combinava a carroceria dos alemães Opel Rekord C e Opel Commodore A, com a mecânica do norte-americano Chevrolet Impala. Nascia assim, no VI Salão do Automóvel de São Paulo, um automóvel cultuado, desejado e admirado: o Chevrolet Opala de Luxo 1978.

A trajetória desse veículo foi tão importante que, hoje, ele é um dos mais cobiçados pelos aficionados por antigomobilismo. Um destes entusiastas é Fábio Baltazar, que já tinha um Opala Comodoro 1983, quando foi atrás de um Opala de Luxo 1978, o Placa Preta dessa edição. “Depois de pegar bastante estrada com o Comodoro 83, eu comecei a procurar um Opala mais antigo, que é muito raro hoje em dia. Um dia no trabalho meu amigo me ligou e falou que tinha visto no Facebook um para vender em Guarulhos. Como eu trabalho em Alphaville pedi para ele ir ver o carro para mim. Ele me ligou falando que o carro tava íntegro, com uma excelente estrutura e um preço muito bom. Liguei pro vendedor, negociei, comprei, paguei, e só fui ver efetivamente o carro no dia seguinte”, conta Fábio.

“Tem muita gente que lembra da infância, dizendo que tinha um Opala na família”

A partir daí, começou um processo de restauração minucioso e trabalhoso, já que as peças para o Opala são cada vez mais difíceis de serem encontradas. “Eu que fiz todo o processo da Placa Preta, junto com o Opala Clube ABC, que me ajudou bastante. Mas ainda estou buscando alguns detalhes, como os frisos. O problema é que algumas partes são complicadas de encontrar e, quando você encontra, custam caro. Para você ter uma ideia, eu procurei por três meses a lanterna original Bianco Savino.” Fora isso, um dos momentos mais “marcantes” do processo de restauração foi a instalação do famoso teto de vinil Las Vegas. “Eu comprei esse Opala justamente para colocar o teto Las Vegas. Mas, a gente que gosta de carro, nunca gosta de ver ele desmontado. Quando eu cheguei na oficina para acompanhar o processo, ele estava todo furado. Não é a melhor coisa de se olhar não, é melhor deixar para ver só no final. Na hora eu até pensei, ‘o que foi que eu fiz?’, mas no final deu tudo certo.”

Mesmo com o trabalho e com os custos que um carro antigo carrega, Fábio garante que vale a pena. “Quando você está na rua, parado em um farol, e chega alguém do lado e pede para você acelerar, buzinar, vem o reconhecimento de todo o cuidado que você teve com o carro. Mesmo tendo menos tecnologia que os modelos atuais, o automóvel antigo chama atenção. As pessoas me enchem de perguntas, sobre os cuidados necessários, sobre os detalhes. Fora isso, tem muita gente que lembra da infância, dizendo que tinha um Opala na família, que viajava muito com ele. Isso é o que eu mais gosto. Claro, não menos importante, para mim, é uma fuga. Um momento meu, em que eu mexo em algo que eu gosto, que me deixa mais tranquilo, mais relaxado.”

Previous Image
Next Image

info heading

info content

 

Outro ponto alto dos apaixonados por carros antigos são os passeios, organizados pelos diversos grupos especializados no assunto. O Opala, por exemplo, conta com clubes em diversos cantos do país, o que mostra o tamanho do sucesso que o veículo alcançou. “O mais engraçado dos passeios é quando você para no pedágio. Você é transportado no tempo. Olhando em volta parece que voltou aos anos 70, tamanha a quantidade de carros Placa Preta parados. Aproveito muito as viagens nas estradas. O meu carro de dia a dia eu uso para ir trabalhar.  Não que não seja bom, mas prefiro dirigir por prazer.”

Agora, Fábio não só não pensa em vender seu Opala, seis cilindros, álcool, câmbio “Clek Clek” quatro marchas e rodas originais SS, como também diz que está longe de investir em outro Placa Preta. “Só vendo por uma oferta muito boa. Tô com ele há pouco tempo, ainda faltam algumas coisas que eu quero melhorar. E para comprar outro só se for um Caravan (perua derivada do Opala), porque aí eu vou ter lugar para dormir, já que minha esposa vai me colocar para fora” brinca.

Confira a entrevista do Fábio em nosso canal do YouTube:

 

Comentários