O Balconista S/A pegou a estrada e cruzou a fronteira do Brasil para conhecer de perto o trabalho de um profissional do balcão de autopeças no estrangeiro. Nosso destino foi a cidade de Montevidéu, capital do Uruguai. Com 1,3 milhões de habitantes, aqui vivem cerca de um terço da população total do país sul-americano. Centro econômico uruguaio, a paisagem deste lugar ganha força com as águas do Rio da Prata, além de inúmeros monumentos históricos.

Ao andar pelo centro de Montevidéu e na Cidade Velha, você passa por diversos cartões postais da capital uruguaia. O Palácio Salvo, a Praça da Independência, o monumento em homenagem a José Artigas e a Puerta de la Ciudadela chamam a atenção dos turistas e suas câmeras. Mas nosso destino é outro. 

Localizadas na região central, as ruas Galícia, Cerro Largo e Yí formam o núcleo da zona de autopeças de Montevidéu. Diversas lojas de componentes automotivos ocupam o comércio destas vias. Paramos no número 1569 da Yí, onde está localizada a GyG Repuestos. Lá fomos recebidos pelo administrador do negócio e balconista Germán Souza, de 38 anos.

Há menos de um ano com o estabelecimento em Montevidéu, Germán fundou a primeira loja em 2011, na cidade de Las Piedras, junto ao seu sócio Gastón, o que explica o nome GyG. “É algo atípico, porque normalmente as autopeças nascem na capital e vão para o interior depois, nós fizemos o caminho inverso. Acabamos crescendo muito lá e viemos para cá. Temos dois locais de venda˜, explica.

Germán conta como é o dia a dia da GyG Repuestos, além do e-commerce e outros tipos de comércio: “São em volta de 50 clientes por dia em Montevideo, mais 100 em nossa unidade em Las Piedras. Além das vendas online pelo Mercado Livre, WhatsApp e a distribuição varejista para autopeças do interior do país também˜.

Pegamos a estrada e cruzamos a fronteira brasileira. O destino final foi a capital do Uruguai, Montevidéu. Lá conhecemos Germán Souza e a GyG Repuestos. Conheça a vida de um balconista no país vizinho.

Existe uma gritante diferença entre Brasil e Uruguai no assunto autopeças, principalmente pela discrepância no tamanho da população. ˜O mercado uruguaio é muito pequeno em relação ao que vocês estão acostumados no Brasil. Para você ter uma ideia, em São Paulo, eles vendem em uma semana o que comercializamos em um ano inteiro˜, relata Germán.

As peças da GyG Repuestos vêm de diversas partes, como Argentina, Brasil e China, sem intermediários, já que Germán faz as importações diretamente com as fábricas. Sobre o jeito de trabalhar, ele diz que prefere consultar os catálogos impressos, já que está mais acostumado, mas algumas empresas só disponibilizam uma versão online desse material.

Segundo o balconista, os uruguaios sofrem com a falta de componentes para certos veículos. “Os carros chineses têm causado problemas entre os clientes, porque as peças são difíceis de encontrar, principalmente as de carroceria˜. Ele explica que isso tem a ver com a cultura automotiva no Uruguai.

˜Diferente do Brasil e da Argentina, o uruguaio sempre comprava um carro e tinha ele por muitos anos. O mercado interno não estava acostumado há trocar de veículo a cada dois anos. Na década de 90 começa esse auge da venda dos 0 km e as pessoas começam a fazer essa mudança de dois em dois anos. De qualquer maneira, o mercado interno tem muito carro antigo, a frota é muito velha. A maioria dos carros são de padrão média, não tem muitos modelos de luxo. Por exemplo, algumas empresas vendem muitas unidades, elas crescem e acham que vão vender mais, só que uma hora isso satura e dá errado. Como consequência, acontece que não tem mais peças para esses carros˜, diz Germán.

GARRA CHARRÚA

Um dos sinônimos utilizados pela bravura uruguaia, principalmente no futebol, é a garra charrúa, nome do povo originário que habitava essa região antes da chegada dos espanhóis e portugueses à América do Sul. Em 1970, Horacio Torrendell homenageou esses habitantes com o Indio, um carro montado no Uruguai pela General Motors. A parte mecânica era toda importada, enquanto o chassi e a carroceria eram feitos em solo uruguaio.

“Aqui nunca se fabricaram veículos, mas muitos foram montados aqui. Por exemplo, na época da ditadura existiam impostos muito altos para a importação de carros, então as pessoas começaram a trazer autopeças de fora e montar os automóveis aqui no Uruguai”, explica Germán.

O Indio teve quatro modelos diferentes, distribuídos em duas mil unidades. O jipe tipicamente uruguaio contava com motores de Chevette de 1400cc e 1600cc. O final da produção deste modelo ocorreu em 1977. Além dele, existiram outros modelos montados no país vizinho, como os carros da marca Grumett e o Mahindra Cimarrón.

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