Danica Patrick foi a primeira mulher a vencer uma prova de Fórmula Indy, além de fazer história na Nascar.

O Balconista S/A dá início a uma série que destaca mulheres que fizeram – e fazem – história no automobilismo. Em uma modalidade majoritariamente masculina, é importante lembrar que o gênero oposto também demonstra inúmeras virtudes sobre quatro rodas.

Nosso primeiro nome é Danica Patrick, ex-pilota da Fórmula Indy e da Nascar. Sua trajetória provou que as mulheres podem garantir um lugar nas pistas e não fazer mera figuração.

O sucesso da norte-americana é um fator de estímulo ao debate sobre a inclusão das mulheres nesse universo, encorajando ainda mais aquelas que sonham um dia acelerar nos autódromos.

Vamos então dar a partida e conhecer Danica Patrick.

Danica Patrick

Quem é Danica Patrick?

Danica Sue Patrick nasceu em 25 de março de 1982, na cidade de Roscoe, em Illinois (Estados Unidos), e não tardou a acusar sua paixão pelo automobilismo.

Desde cedo, participava de corridas de kart, conquistando diversos títulos; depois, aos 16 anos, migrou para o Reino Unido, onde acelerou em algumas das séries juniores mais competitivas do planeta. Em uma delas, conquistou o segundo lugar no Formula Ford Festival, na pista Brands Hatch, em 2000, pilotando um Mygale SJ 100. 

Esse foi o melhor resultado não apenas entre mulheres, mas como para qualquer norte-americano na modalidade.

O desempenho de Danica Patrick chamou atenção de Bobby Rahal, campeão das tradicionais 500 milhas de Indianápolis (Indy 500) em 1986. Ambos se conheceram durante uma prova no circuito Road America, na cidade de Wisconsin, em 2001. A partir dali, tornaram-se amigos e mantiveram contato duradouro.

Um ano depois, parceria oficializada: Bobby passou a assessorar a carreira de Danica, acionando o turbo para a sequência do trajeto.

Danica Patrick na Formula Ford, em 2000

Fórmula Indy

De volta aos EUA após o período na Europa, Danica competiu em algumas divisões de base da Indy até estrear na categoria principal em 2005, pela Rahal Letterman Racing.

Na 89ª edição da Indy 500, ocupou a liderança por alguns momentos (fato inédito para uma mulher), embora tenha iniciado e finalizado a corrida na quarta posição. De qualquer forma, mais um feito sem precedentes no universo feminino.

Danica ganhou o prêmio JP Morgan Chase Rookie, dado anualmente ao melhor novato de cada temporada, além de fechar 2005 vencendo o Bombardier Rookie do Ano.

Em 2007, Danica trocou de equipe, transferindo-se para a Andretti-Green, onde veio a consagração definitiva. 

Primeira (e única) mulher a vencer uma prova na Indy

O dia 20 de abril de 2008, o que já era um elemento importante tornou-se uma página eterna na história da Fórmula Indy e do automobilismo mundial. Naquela data, Danica Patrick vencia o Grande Prêmio de Motegi, no Japão. 

Pilotando o carro da Andretti-Green, Danica largou na sexta posição e fez uma prova impecável. A apenas três voltas para o fim, ultrapassou o brasileiro Helio Castroneves, líder do torneio, para subir ao topo do pódio.

Era uma madrugada de sábado para domingo, horário adiado em função das fortes chuvas que caíram anteriormente. Como se tivesse sido planejado, a Terra do Sol Nascente presenciava o raiar de um novo dia, dando à luz mais um capítulo da história do automobilismo.

No ano seguinte, Danica voltou ao pódio, desta vez na Indy 500, na terceira colocação, novamente um feito inédito para as mulheres.

Danica Patrick celebrando a vitória em Motegi
Foto: Jonathan Ferrey/Getty Images

Nascar

A chegada de 2012 trouxe novas mudanças na carreira de Danica Patrick, que passou a pilotar na Nascar (XFinity Series), integrando a equipe da Stewart-Hass Racing. 

Um ano depois, Danica continuou fazendo história ao competir sua primeira temporada completa pela categoria principal (Cup Series), na qual se tornou a primeira mulher a fazer a pole nas lendárias 500 Milhas de Daytona

Em 2018, a bandeira quadriculada tremulou pela última vez diante da presença da norte-americana. Primeiro, no mês de fevereiro, pela Nascar; por fim, em maio, em uma etapa da Indy 500, onde tudo começou quando tinha 23 anos.

Danica contabiliza 191 provas pela Cup Series – recorde entre as mulheres – sete vezes figurando no top-10. Com essa marca, ela superou com folga a então líder no quesito, Janet Guthrie, que correu 33 provas e chegou entre os dez melhores em cinco oportunidades. 

Embora sempre em pequeno número, vale lembrar que a Nascar conta com mulheres desde a primeira temporada, em 1949.

 Danica Patrick cumprimentando fãs

Pós-aposentadoria e o legado de Danica Patrick

No ano em que deixou as pistas, Danica Patrick lançou, em companhia de Stephen Perrine, o livro “Pretty Intense: The 90‑Day Mind, Body and Food Plan That Will Absolutely Change Your Life”. A obra traz informações e dicas sobre como cuidar do corpo e da mente por meio de uma alimentação saudável.

Além disso, a ex-pilota possui uma marca de vinhos, a Sommium, em Santa Helena, na Califórnia.

A influência de Danica Patrick sempre se estendeu para além das quatro rodas. Sua notável presença em um universo composto em grande parte por homens desperta mulheres que desejam ocupar tais espaços.

Evidentemente, é preciso alterar aspectos fundamentais de uma cultura bastante solidificada. No entanto, casos como esse podem abrir caminho para mudanças mais significativas.

“Eu sempre disse que espero que as pessoas se lembrem de mim como um ótimo piloto e uma mulher, e espero que seja nessa ordem. Quero que seja uma daquelas histórias em que você é como uma garota incrível e ótima, e que foi ótimo ver algo assim, algo único e diferente. Eu não quero que você esqueça que eu era uma garotinha, eu estou aqui em grande parte porque sou mulher, apenas tento dar o exemplo”

Danica Patrick, em entrevista à Agência Reuters (2018).

Confira abaixo o momento em que Danica Patrick vence o GP de Motegui, no Japão.

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